quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Revival



Entrei numa brincadeira do Facebook que me deixou encantada: trocar a foto do perfil por algum personagem de nossa infância. Pensei um pouco. Afinal, eram tantos! E, infelizmente, todos importados - ou "abrasileirados", como o Garibaldo, da Vila Sésamo.
Ok, você não lembra. Então não era criança nos anos 1970 (é , agora tem que escrever assim...). Na procura de uma "figura" feminina, dei uma de Penélope Charmosa, da Corrida Maluca, já que queria a Miss Piggy, mas essa já estava "ocupada" por uma amiga que mora em Portugal. E descobri nessa procura que a grande maioria dos personagens são masculinos - ou melhor dizer machos? E que as personagens femininas entravam em cena "apenas" para roubá-la. Poucas eram mocinhas, muitas bruxas. Dai minha escolha pela "heroína" que não descuidava da vaidade (xi, começo a ver que não fiz uma boa escolha...). Mas, como toda menina, minha identificação era com...meninas. Não patas, ou ratas, nem porquinhas, ou outras fêmeas do mundo animal. Achava a personagem realmente charmosa, com seu chapéu e seu lenço esvoaçante. A bota até o joelho dava o toque final. Ela, materializada como pessoa, deveria ser de "fechar o comércio"! E vagava pelo mundo masculino com toda facilidade pertinente. E era a única da turma, que me lembre, que não era boba ou trapaceira. Coisa rara...
Mas voltando ao assunto em questão, que infância tivemos ( desculpa para as novinhas e novinhos de plantão)! . Brincávamos na rua até tarde, talvez de pés descalços ou apenas um chinelo. Tênis só na escola, os congas - azul ou branco? Fazíamos "cozinhadinhos" com fogo mesmo, sem frescura, e ninguém morreu queimado ou intoxicado. Trepávamos nas árvores sem medo de cair (hoje nem árvores temos...). Brincávamos de faz de conta, de bandido e mocinha. Soltávamos pipa. Jogávamos amarelinha , bolita ou pião. Peteca. Descíamos morros enormes de carretilha. Ou grandes gramados sentados sobre um pedaço de papelão. Balanço? Só os improvisados, tábua e corda. Sumíamos no mundo até nossa mãe nos achar "no berro" (graças por terem inventado o celular bem depois, Senhor!) ou esperar na hora marcada. Nosso banho era rápido, a janta na hora certa e com todo mundo na mesa. Rezei muito "papai do céu" para agradecer. Pouco víamos de televisão, talvez uma novela chorosa já no colo da mãe e com os olhos mais fechados que abertos. Dormíamos de luz apagada em quartos com simples "camas e armários", para que mais? E em bando, nada de quarto separado. Era um banheiro para todo mundo. E , sim, ajudávamos na casa. Eu me lembro de sentar no chão para secar panelas...
Hoje me encanta ver as crianças do condomínio onde moro brincarem "de pegar" ou de "31". Meu filho já fez muito disso. Pena que hoje façam isso só às 10 horas da noite, e mais para dar sossego para os pais. O resto do dia devem ficar entre um entra e sai de aulas demais. Quem sabe elas já vão no salão fazer a unha. Ou caras em bocas no espelho do banheiro de algum shopping. Mais certo que estejam grudados no celular ou no videogame. A infância vai passar tão rápido que eles nem vão se dar conta...

Quando se vê, já são 6 horas: há tempo...
Quando se vê, já é 6ªfeira...
Quando se vê, passaram 60 anos...
Agora, é tarde demais para ser reprovado...
(em Esconderijo do Tempo, de Mario Quintana)


2 comentários:

  1. "Por esta comidinha graças ao PAPAI DO CÉU..Amém..
    E ao papai da terra também...."
    Sempre antes do almoço.
    Bj,
    Meg

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  2. É, Meg, a primeira oração a gente nunca esquece!

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