terça-feira, 9 de novembro de 2010

Sortudas



Para um dos tantos trabalhos da minha pós, fiz uma pesquisa relâmpago com mulheres casadas, acima de 30 anos, sobre o uso - ou não - de motéis ( e , claro, sexo). E os porquês, entre outras perguntas. Há as que amam , pela praticidade e pelo clima, a grande maioria delas. E há as que odeiam, acham o lugar promíscuo, voltado para safadezas de toda ordem. Uma grande maioria gostaria de usar mais. De ousar mais. Gostam do clima, do diferente, do inesperado, feito os tempos de namorados.
Estão satisfeitas as que fazem amor mais de uma vez por semana, mesmo que seja no quarto de casa, sempre o mesmo,  tanto faz. Curiosamente, são as casadas a mais tempo. Talvez porque não tenham mais filhos a chamar ou entrar porta a dentro. Ou porque estão curtindo uma vida mais estável. Quem sabe,enfim, descobriram e se entregaram aos segredos do estar de bem com a vida. O valor da intimidade que um bom relacionamento traz. Conheço umas que não dormem bem quando o marido não está. Ou sem que uma parte de seus corpo não toque a dele. E é desses detalhes, mínimos, que se transforma o sexo em amor.
E o que era para ser mero material de trabalho, virou um belo tema de discussão. E de uma enorme compreensão sobre o tema casamento. Não pode estar desvinculado de sexo. Porque sexo   - pelo menos para nós, mulheres - não é só cama e xau. Sexo começa no bom dia bem dado, um telefonema no meio da tarde para ver como andam as coisas ou se precisa algo para o jantar. Um convite fora de  hora. Um "sequestro" para uma noitada.  Ou uma pipoca no cinema, tanto faz.  E se vem mais de uma vez por semana, uau, sortudas somos. Fica aquele clima de namoro no ar. Aquela troca de olhares que ninguém nota - e se notar, gosta. Dá chão para os filhos quando compreendem isso, quando vêem pais se dando bem. Dá coragem para que queiram isso para a  vida deles também.
Amizade, interesse, cumplicidade. Carinho. Companheirismo. Um esperar ansioso da chegada do outro. Um prato feito com carinho à espera do amado. O gargalhar espontâneo sem grande motivo. O beijo bem dado ao abrir da porta. Isso é sexo em sua melhor forma. Mas claro que não pode ser só isso. Tem um dito popular que diz que se deve casar com quem se gosta de conversar. Porque um dia o sexo não será mais o mesmo, todos sabemos. Mas se houver brilho nos olhos, se houver o olhar interessado, ah, de uma conversa para um bom e demorado chamego é um já!

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