sábado, 25 de dezembro de 2010

Cadê


25 de Dezembro. Natal. Quando eu era criança - de idade, digo , pois criança ainda sou - este era o dia de experimentarmos os presentes. Os meninos com suas bicicletas e carrinhos, as meninas com suas bicicletas e bonecas - ou os queridíssimos jogos de panelinha. Nisso, nestes presentes, muito de nós como fomos e somos ainda hoje: os 'meninos' com suas aventuras e as 'meninas' cuidando dos bebês e das casas.
Brincar era uma escola. Da vida.
Vejo que o tempo realmente passou e as coisas mudaram de vez. Primeiro que, ao caminhar - e fiz isso por muitas ruas e muito tempo - o que vi foi um Natal silencioso. De cidade vazia. Ninguém nas ruas. Nada de estréias de bicicletas, nem de demonstrações do que se ganhou no dia. Nenhum pai ensinado o filho a andar sem rodinhas. Nem um adolescente a testar patinetes. Ou outros com seus skates. Nenhuma menina levou sua boneca nova a tomar sol. Nem deu de mamar em alguma esquina. Não houve o encontro na praça para conversarem sobre suas novas aquisições. Nem histórias de como o Papai Noel entrou ou como devorou seu lanche. O dia está com cara de ressaca de festa qualquer...
A ficha caiu quando assisti o jornal. Uma "pirralha" , já de unhas pintadas, levada  a conhecer brinquedos 'antigos' ( e olha que nem eram do meu tempo de criança). Fez pouco caso. Falou que eram da 'era dos dinossauros'. O menino até que tentou, mas não conseguiu manejar o pião. Senti pena. Ele teria ai um bom encontro com o pai - quem sabe com o avô. Ou aprenderia muitas coisas ao usar blocos para construir casas. Já a menino, não sabe o que está perdendo, enfiada em casa a 'brincar' com seu celular. Não sabe o que é jogar amarelinha. Nem pular elástico. Nem pega-pega ou '31'. Nunca vai saber o sabor inegualável de um 'cozinhadinho' de verdade, feito com fogo de verdade e com comida de verdade. Nem do sabor de uma noite sem luz e muitas histórias fantasmagóricas. Muito menos do momento inesquecível de um piquenique. Ou da graça de levar uma rolhada no jogo de 'dorminhoco'. Devem estar faltando risadas...
Meu filho fala que os meninos estão testando seus jogos na tela de LCD ou no novo lap top. Ou deslizando sob patinetes motorizados na garagem do prédio. Que as meninas estão trocando mensagens pelo celular novo. E  - óbvio - não estão falando de bonecas. E eu penso que, se ganharam presentes tradicionais - palavra que desconhecem...devem chamar de 'velhos' - , talvez de avôs e avós menos antenados, estes ficaram debaixo da árvore ou foram deixados em um canto qualquer. Nem sei para quem a televisão está passando 'Branca de Neve e os sete anões'. Talvez seja um presente para as mães...ou avós!
As crianças estão muito ocupadas para assistir e se deliciar.
Mas como disse Carlos Tullio Schibuola, "a infância continua. Os brinquedos é que mudam"!

25 de Dezembro de 2010. Século XXI.
Andei pelas ruas e não achei o espírito de Natal...

Um comentário:

  1. Talvez porque o espírito de Natal estivesse só dentro de ti...

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