sábado, 18 de dezembro de 2010

Dá-lhe!



Mais de uma semana sem escrever. Os motivos foram muitos. Uma internet nada acessível, a falta de um silêncio exterior compreensivo e a sobra de um silêncio interior que me oprimiu e me deixou quieta. Milagre, diria quem me ama. Eu, quieta, é porque a coisa realmente não está bem. E para completar, eu, sim, eu mesma, sem apetite. Caso de internação? Foi como se meu inferno astral tivesse se agravado. Mas não era para terminar no dia do aniversário, para muitos o verdadeiro ano novo de cada um? Quando isso acaba, meu Deus? Ai me vêm aquelas ideias um tanto inválidas para os um tanto céticos: banho de sal grosso, benzedura, benção. Passe. Rezadeira.
Será? Isso em fez lembrar algo, se muito, engraçado. Ganhei um colar de minha irmã, belíssimo, cheio de medalhinhas de Espírito Santo (escrevo em maiúsculas, sei não se do contrário não seria falta de respeito...), uma de cada cor. Na rua, só dava ele. Cansei de cruzar com fusilantes olhares invejosos. Não tive dúvida: entrei na Matriz e abençoei-o, eu mesma, com água benta. Pedi proteção. Não adiantou. Mal encontrei com conhecidas - ou nem tanto - e lá se foi a  mãozinha sujinha delas nas medalhas. Deu vontade de gritar: "brasileiras de plantão, olhai com os olhos!". Senti como se a força dada pela benção tivesse se esvaído. Medo ou superstição?
Fim de ano se aproxima e minha mente não pára. Passaram-se dois anos do que pensei ser o crescer de mim mesma, e nada aconteceu. Pior, piorou, e muito. Sinto- me fraca. Inútil. Usada. Cá estou eu, de volta ao "lar", e a cada minuto a coisa aperta.  Os valores mudam, mesmo aqueles que lutei para conseguir. Uma luta injusta. A indiferença, a ofensa, a invisibilidade de sempre. O pouco valor. Não há sossego, penso. Não aqui. Não vejo nenhuma ilha no meio deste mar revolto, a não ser meu porto. Espero ter folego para poder chegar ao meu cais...
Então, relembro as palavras vinda de uma conversa colhida do acaso: "só me fizeram - e fazem - o que me deixo fazer". Tapa na cara. Aceito. Mereço. E me sinto um pouco melhor por ter materializado tudo isso nesse postal.







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