terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Dubia



Estou sem escrever fazem alguns dias. Não por falta de assunto, não, muito pelo contrário. A cabeça borbulhante demais não me deixou escolher os temas dos dias. Até os momentos vulcânicos, onde as palavras vieram para queimar as minhas entranhas, serviram-me, e muito.  No choro não contido,
mais que desabafo, lava de ideias.
Parei mais uma vez para pensar, feito criança ou adolescente, o que quero ser quando crescer. Quando o papel de mãe não se fizer mais tão necessário - alivio de quem sabe que fez a coisa certa. Quando eu puder, enfim, escolher meu caminho, ou o de falsas flores que escondem espinhos, ou o de espinhos que escondem verdadeiras flores. Arquitetura ou jornalismo? Quem sabe professora?  Ou, bem antes disso,
interessada estudante? (Isso sou, de tudo e de nada).
Refiz mentalmente meus passos, desde o dia que escolhi, por conta e risco próprios, fazer arquitetura. Meu sonho era desenho industrial, e na cidade onde hoje sonho em morar, atracar de vez meu barco aventureiro. Fui parar em outra que se fez meu paraíso por anos.  E desde os primeiros trabalhos entregues, muita criatividade...e muita lábia. Penso que já existiam em mim a Joyce das formas e a Joyce das palavras.
É, reconheço, arquitetura me encanta, feito poesia concreta. Seus detalhes, retrato do bem feito, do bem pensado, do antes sonhado. Mas não essa parca, copiosa, retrato de mesmice reinante, não. Falo da grande arquitetura, a que fica, a que nunca vai morrer. Dos gaudis aos niemeyers. Melhor dizer do Gaudí ao Niemeyer, porque esses não serão nunca copiados a contento. E tantos e tantos outros, poetas do espaço, que nem ouso começar a citar. Talvez esteja ai, na minha forma de ver uma a razão da outra. Talvez seja a verdadeira arquitetura meu templo de crítica e leitura. Talvez tenha vindo dai minha  forma de expressão maior, a que me faz tão bem: palavras. Entender o mundo, o porque das coisas, esse caminho sem volta em que me meti, agora, de vez.
O que quero ser quando crescer? O que me vier. E que me venha de bom grado...

(Teto da St. Mary's Church, Pirna, Germany, 1502-46, do álbum da designer Beatriz Sempere)

2 comentários:

  1. The photograph is wonderful!!! Congratulation for your blog, it´s fantastic!!!. Laura

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