domingo, 26 de dezembro de 2010

Feliz?



Está lá. Uma PEC (proposta de emenda à Constituição) que  " altera o artigo 6º da Constituição Federal para incluir o direito à busca da Felicidade por cada individuo e pela sociedade. Diz lá : "Art. 6º: São direitos sociais, essenciais à busca da felicidade, a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados,
na forma desta Constituição.
Está lá. Sei que é sério, sei que é necessário - imprescindível, diria. Mas dai a dizer que se alcançará a felicidade, ah, sei não. Talvez a busca, como se fala. E, sempre insatisfeitos como somos, em chegando lá, outras coisas faltarão e sempre será uma busca. Por vezes injusta. Muitas vezes cansativa. Até porque é isso que nos move. Já cansaram de dizer que felicidade é o caminho, não o fim. Não o pote de ouro, mas o arco-íris. E vai servir, sim, de base para pequenos advogados sairem atrás de grandes causas. Nem sempre dos clientes, mas sempre deles. 
Mas voltando ao tema, e agora pelo meu ponto de vista, achei graça. Ou fácil, pela descrição simples, do que é a tal Felicidade, ali escrita em letra maiúscula, como muitas vezes já falei aqui da Vida e do Amor, meus queridos companheiros que respeito - e porque não dizer, idolatro. Felicidade. Agora é lei. Devo me sentir meio sendo julgada. Pago caro pela minha saúde. Mais ainda pela minha educação. Trabalho apenas me faz sobreviver. Moradia não é minha por inteiro  - e atualmente, mais ponto de discórdia que conforto. Lazer virou sinônimo de não pensar nos problemas, tantos. Segurança, se for essa ai citada, pagamos para ter e rezamos para não precisar. A tal segurança em mim mesma, está na boca do buraco.
E ainda tem a tal Felicidade. Mais essa. A minha aportou em um ponto alto de minha vida. Virada. Renascimento. Escolheu bem. Fez lá morada sem nem saber se era bem vinda. Se for presa por isso, nem tenho como pagar a fiança. Isso se eu quiser sair. Por vezes parece que estar encarcerada , morta, longe de tudo que não seja a tal felicidade, parece uma boa pedida...
Felicidade. A minha tem cor de laranja, cheiro de lavanda. É uma felicidade sábia, contida, sem fanfarras ou outdoors. Uma felicidade silenciosa, sem pressa, minuciosa, por vezes cortada por uma gargalhada ou por um bem viver. Uma felicidade difícil de alcançar, mais difícil ainda de entender. E simplesmente impossível de se resistir, mais ainda de se desistir. Feito o arco-íris e o pote juntos. Porque a felicidade que eu escolhi, que eu quero, é imensa. Não cabe em leis. Muito menos em emendas. Nem me cabe, talvez.

2 comentários:

  1. Joyce amada,
    Que pérola! Escreves com a alma!!!
    Adorei!!!! Diz-se que o bom escritor é aquele que escreve o que gostaríamos de dizer, mas não sabemos como. E tu fazes isso com maestria.
    Parabéns. Que continues nos brindando com muitas outras destas pérolas.
    Bjs,
    Nora

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