quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Ganhos




Hoje meu filho viaja. Vai passar 50 dias longe, muito longe. Leva na bagagem um pouco de mim. Sinto meu coração apertado. Não deve estar cabendo nele toda a minha ansiedade, medos, preocupações tolas de mãe de que tudo dê certo, que tudo corra como esperado. Ou melhor seria dizer sonhado?
Mas fica essa sensação dúbia, de alegria e tristeza. Sensação de perda. De falta. De descolamento. Como se uma parte de mim fosse com ele. Deve ser a parte da dedicação, essa tarefa que cultivo há quase 16 anos. Perda? Não. Seria melhor dizer, afastamento, breve. Perdas, já encontrei muitas, sei bem como é. É dor, não é estranhamento. A dor é outra. Já perdi tantas coisas - amigos, afetos, coragem. Noção das coisas. Rumo. Eu , tantas vezes. Na maioria das vezes eram coisas minhas, internas e íntimas, tão difíceis de achar de novo dentro de mim.Outras se foram sem nem avisar. E sabe lá quantas ainda vou perder até que o ano vire outro...
Mas achei muitas também. Meus portos. Meus achados. Descobertas. E esses, quero-os dentro de mim para sempre. Foram presentes que a Vida me deu -  talvez só para me consolar. Fez bem. Revigorou-me. Senti minha pele, meu sangue circulando. Minha alma sendo sacudida. Por momentos achei que era feliz. Que era eu de novo a me mostrar. Um renascer. E dentro desse eu, muitos outros que nem sequer sabia que existiam. Essas, lindas descobertas, não morrem jamais.  São minhas marcas. Meu legado. E cada vez que sentir saudades de mim mesma, basta relembrar. Um alento. Elas estão ali, na primeira gaveta de meu coração. Uma gaveta sempre limpa e arrumada, perfumada, pronta para ser aberta cada vez que a emoção pedir, sempre que o amor faltar.
Hoje meu filho viaja. E com ele vai um pouco do que sou. Mas vai ser bom. Eu e ele temos muito o que conversar, ele com ele, eu comigo. Ele precisa me dar mais valor. E crescer. Eu também preciso de
me dar mais valor. E crescer.
Como vemos, o tempo passa, mas as necessidades são as mesmas. Mas desta vez quem vai precisar de colo, talvez, seja eu...já estou com saudades...

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