segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Sinceramente



Estou num momento crucial de minha vida. De contrários. De opostos. De extremos. Muito feliz e muito triste. Meu filho está na sua melhor fase. Adolescente, cheio de vida, cheio de sonhos e de partida para a primeira viagem de seus sonhos ( sim, acredito, e sonho, que virão muitas, como se esse abrir de portas fosse eterno...). Acredito que seja uma soma de coisas: merecimento, oportunidade e , claro, uma forma atualíssima de 'estar entre os melhores'. Uma aposta antiga, quando se põe no melhor colégio, quando se espera as melhores amizades, quando se deposita nele os nossos sonhos. Quando se dá a ele o que não se teve e nem se tem. Frutos, todos, dessa vida que vivemos para - e tão somente - eles. Deixamos de lado nossos sonhos e até nosso conforto, em prol deles. E este é um deles.
E eu na minha pior, posso assumir. Mais que uma 'crise de meia idade', como dizem, uma crise de idade inteira, sinto. Como mulher, como mãe, como profissional. Comigo mesma. Crise de pacote completo. Nisso, pouco de mim, que sempre fui de me jogar na vida - até o dia que ela, machucada, se vingou. Fiquei medrosa.
Viajar. Está no meu sangue, diz meu horóscopo. Conhecer países e línguas. Fiquei na língua, uma só. Já me fiz muitas promessas de tal. Já me fizeram algumas, escritas às pressas diante de um esquecimento - ou desinteresse - de presente qualquer, diante do olhar comparativo dos outros e do que eles iam pensar. E por um problema ou outro, nunca fui além de onde poderia ter ido e voltado em um mesmo dia. Nem do total desintendimento do que se falava - o que deve ser, uma baita experiência.
Lembro de meu pai. Tinha agência de viagens e nunca viajou. Por medo ou conformismo, não sei. Nem nos deu. Conhecia países de ouvir falar. E falava deles como se tivesse estado lá. Eu tenho em mim a percepção de ser isso, viajar, uma porteira aberta para a passagem da boiada da vida. Um portão a ser transpassado. Depois disso, da ,enfim, saída, sempre se volta, sempre se vai a viajar. Um viver contínuo, como se entrasse no cotidiano. Na ordem do dia. E a quase certeza já que, para quem não passa, nada passa.
Estranho sentimento. Ambíguo. Egoísta, assumo. Mas sincero, como sempre o são, como sempre sou. Meu filho está pronto para sair e eu nem sei onde ficar...Talvez faça parte da minha procura.
 Talvez Neruda esteja certo:



"Algún día en cualquier parte, en cualquier lugar indefectiblemente te encontrarás a ti mismo,
y ésa, sólo ésa,
puede ser la más feliz o la más amarga de tus horas".

2 comentários:

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  2. Palavras sinceras, confusas, doídas e realizadas. Sinto e tenho medo de lê-las outra vez. O que pensar? Será que devo? Julgá-las, por quê se são simples palavras? Ou serão sentimentos profundos de uma mulher, mãe que se sente solitária com a partida do filho? Solidarizo-me diante destas palavras ditas de maneira tão confusa quanto os sentimentos que ora foram a razão deste desabafo.

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