domingo, 9 de janeiro de 2011

Aprendendo


 
 
Gosto de filmes ou livros que se vê/lê por acaso, das frases que me caem nas mãos ( ou melhor dizer   no pensamento?) e me fazem dar uma parada para respirar. Para me respirar. Para me enxergar - não como sou, verdadeiramente,  mas como estou sendo. Como uma boa conversa de onde saio melhor, mesmo aquelas comigo mesma. Como se eu levitasse e me visse de longe - sempre a melhor visão, a do todo e seu contexto. Uma visão afastada e privilegiada, sem pânicos da rapidez de resposta.
Os filmes  e textos - e a Vida -  falavam , cada um na sua linguagem, que ninguém gosta de quem  está por baixo - aqui não no sentido real e sim imaginário. Do fazer-se. Do rebaixar-se. De esquecer o que sou - somos - e ficar batendo na mesma tecla - já cansada de nós. Ficar andando em círculo, andar sem sair do lugar. Sendo metades. de nós, nunca inteiros.
Na real, somos assim mesmo. Previsíveis. Mas não no sentido bom da coisa. Não no nosso melhor sentido. Não no nosso melhor. Somos muito, e deixamos que coisas pequenas, inúteis, nos tirem do caminho, do trilho de nosso ser.  Mesquinhos de nos ser. Pobres. Agarrados a coisas que não nos pertencem, amarrados ao que verdadeiramente não somos. Prisioneiros do momento. E de nosso pouco pensar.
Vemos - e vivemos - o momento muito de perto, o que destoa. Ninguém enxerga bem se olha de muito perto. Os olhos turvam, a visão fica dupla, sem nitidez. Vivemos feito bombeiros, apagando fogos que nós mesmos atiçamos. Ou vândalos, tocando fogo no lugar e hora errada. Perdemos a calma quando ela é mais necesssária. E o raciocínio na hora que mais precisamos pensar. Somos belos sabotadores de nós mesmos, de nossos sonhos e do que queremos. E pior: do que podemos ser. Porque? Não sei. Talvez  seja essa mania que temos de nos autoflagelarmos, autopunirmos ( e ai deixo as novas regras para trás). Pendemos sempre para o nosso lado B. O lado comum e obscuro, raso até. O das respostas rápidas e insensatas, dos atos ligeiros e incorretos. Dos impulsos, de empurrões, levando a vida no tranco, sem nem nos preocuparmos se estamos à beira do abismo ou na planície deserta. Se é suicídio ou simples tropeço. Levamos a sério o que não é, e rimos do que é. Acho que nem sabemos mais viver - se é que algum dia soubemos.
A vida é festa, sim, mas não orgia desmedida. Nem sessão de gala, firia, cheia de pompa e circunstância. Nem um simples passar de horas. Nem um ringue de luta. Foi feita para ser vivída, e bem vivída. Leve, sempre que possivel, mas nem por isso vazia. Essa é a melhor lição de casa.


Se existir guerra que seja de travesseiro. 
Se existir fome, que seja de amor. 
Se for para esquentar, que seja o sol. 
Se for para enganar, que seja o estômago. 
Se for para chorar, que seja de alegria. 
Se for para mentir, que seja a idade. 
Se for para roubar, que seja um beijo. 
Se for para perder, que seja o medo. 
Se for para cair, que seja na gandaia.
Se for para ser feliz, que seja o tempo todo. 
Dizem que é do Mário Quintana. Seja de quem for, estava certo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário