quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Começou




 Promessas. Essa época- ou um pouco antes dela, quando esperamos, impacientes, o 'novo ano' prometido - é a época delas. Uns fazem listas intermináveis, que muitas vezes nem cabem num ano só. Outros, promessas que são impossiveis de serem cumpridas, a não ser que fossemos super-heróis. Outras entram na lista do 'de sempre'. As promessas previsíveis, quase coletivas:  parar de fumar, de roer unhas, comer menos e melhor, fazer mais atividades físicas. Ter mais tempo para o filho. Levar o cachorro para caminhar. Gastar menos. Ver menos televisão. Ler mais. São o que acabo de chamar de promessas cabíveis, palpáveis: toco-as com as mãos. São promessas contáveis, de resultados visíveis. Mas nem por isso fáceis. Poderia dizer que contemplam nossas preguiças.Tentar limpá-los, tarefa árdua. Haja milho sob o joelho. Haja degrau a escalar. Haja vontade!
Mas há, também, uma lista interminável de promessas internas que acho bem mais difíceis de 'pagar'.  Nunca fazemos promessas que realmente fariam diferença em nós como pessoas. Mudanças para sempre. Internas. Olhar atento em quem nos fala. Escutar mais, falar menos. Escutar-se atentamente. Pensar muito antes de falar. Amar sem esperar nada em troca. Perdoar como gostaríamos que fôssemos - na real, não no desejo bíblico de ser. Não fazer de uma gota d'agua tsunami. Abraçar mais. Beijar mais. Carinhar mais. Dar-se, mesmo a nós mesmos, sem esperar que nos recebam de braços abertos. Ser mais simples de atos e mais intensos de pensamentos. Aceitar mais o outro como ele é, aindas mais se esse outro somos nós mesmos.
O caminho é árduo, reconheço. Cheio de mágoas a serem recicladas, de desejos que não serão atendidos, apostas que não darão em nada. De revisões dolorosas do que realmente somos e do que realmente queremos, sem medo de soltar as amarras. Sem medo de crescer. Sem medo de ser  - ou pelo menos tentar ser  - mais feliz.
Ontem me chamaram de corajosa. Já é um passo. E já coloquei mais essa meta na minha lista pouca e precisa para me ser por completo. Suspiro em saber que tenho , ainda, muitos dias pela frente...
E se o ditado popular  "promessa é dívida", tem muita gente começando o ano endividado até o próximo século...

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