quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

DesCaminho


Em plenas férias 'forçadas', aproveito. Tenho dado minhas caminhadas com os pés na areia morna e a cabeça no céu ( não na lua, ainda...). Tenho o sol como companheiro: ele e meus pensamentos fazem boa dupla, um balanceando o efeito do outro. E me levam longe...
Recebo um convite de amizade no Facebook. E, como sempre faço num primerio momento, leio apenas 'por cima', sem preconceito ou credo. Chama-me a atenção o livro indicado - 'O DesCaminho de Santiago' (de Silvio Pires). Nem vou fundo - nem para admirar, nem para me decepcionar. Antes , e como sempre faço, viajo nas palavras usadas. Delicio-me com meu vagar por elas. Assim, sem pré-caminhos. Sem pré-julgamentos. Levada somente pelo vento da minha imaginação, entre morno e fresco. Descaminhos. Ou Santiago, o que me chama mais? O que me prende?
Penso que estou num deles. No meu caminho de Santiago - ou melhor dizer de Joyce? Ficava até bom: Descaminhos de Joy. Melhor dizer 'Caminho de Joy'. Todos nós temos o nosso, cada um o seu, á sua hpra  e vez, volta e meia cruzados com alguém - nem que seja pelas letras onde você me lê.
Ontem caminhei na névoa do final de tarde, após o temporal que trouxe muitas árvores à beira mar. Fui contaminada pela visão de fim de mundo, galhos feito árvores nascendo do chão, tendo como música de fundo o mar sujo e revolto, meu mantra da vez. Fui longe, bem mais do que as raízes arrancadas de algum lugar. Fui fundo, perdendo até a noção do tempo, até que anoiteceu e a a lua veio me chamar. Meus pés doíam, mas eu não queria voltar...
Hoje meu caminho do dia foi com o sol quente na cabeça, água gelada nos pés. Meu pensamento? Longe. Cantava. Música que conheço, despropositadamente plantada em mim. Engraçado, no desvario e no sonho as línguas saem fácil...A melodia em espanhol me acompanhou por todo o tempo - e ainda está em mim. Meu caminho está em mim. Meu caminho sou eu, a cada passo que dou. A cada pensamento que me vem. A cada suspense, a cada surpresa, a cada revelação que a vida me faz. Meus presentes. Meus embrulhos. Ou revelações.
Nosso caminho é único. E não se precisa atravessar o mar. Nem sair do país. Nem andar por muitos dias. Basta entrar em si mesmo. Basta encontrar um silêncio amigo e revelador. Rever o passado, viver o presente, sonhar o futuro. Feito protagonista de uma vida que é, enfim, minha. Um enredo que só eu posso escrever. Mudar. Arrumar. Aceitar ou não. Um conto, crônica. Frase. Um livro, talvez.  Minha cena da vez. Hoje estou bela. Hoje sou mais que ontem. Não sei se pela pele de bronze. Ou o ar de satisfação. Ou por me saber mais. Pela mente abastecida de mim. Por estar me sendo, e só. Bom se um Anjo Negro viesse  me fazer companhia no coração...
O livro eu ainda não li, mas agradeço a  inspiração...

Um comentário:

  1. Carmen Quartim Madiasexta-feira, 21 janeiro, 2011

    Maravilhoso seu texto, a geometria que vc da ao assunto! Momentos como este sao imprescindiveis em nossa vida. Parabéns por vc ter se dado. DesCaminho, desidentificacar formas e conhecer outras, esta e a sabedoria do Universo!

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