domingo, 6 de fevereiro de 2011

Cheia



Ontem falei de bocada, quando refletia o quanto meu filho teria aproveitado de sua longa estadia longe de casa e de seu mundinho certinho de ser. Hoje falo de prato cheio. Recebido o abraço apertado que tocou meu coração no dele, sinto-me plena e feliz. Certa dessa ligação que, como diz o Amor - e o deve tatuar em si para toda  a vida -  " move meu mundo". Agora compreendo melhor essa frase, esse total desprendimento. Esse porque. Quem sabe eu mesma não o marque em mim?
A experiência lhe fez muito bem  - fora os tantos quilos a menos, preocupantes aos olhos sempre cuidadosos de mãe.  Voltou mais centrado, certo do que quer, medindo mais as palavras ( talvez com o mesmo zelo com que dobrou as camisas na mala). Sendo mais servil e  disposto - mais até do que sempre já tinha sido.  Resolvendo as coisas, tomando as frentes. Sendo delicado, lembrando das pessoas que o cercam e que esperavam um carinho. Espero que não seja só um rompante de pós aventuras. Que essa garra e verdadeiro interesse pela vida não se esgote  pela serventia da vida. Que o simples passar por caminhos seculares tenha mostrado o real valor das coisas - do passado e  do presente.
Soube aproveitar bem. Dividiu bem seu tempo em se divertir e viver o mundo ao seu redor. Repensou melhor o tempo - da história, do mundo e dele. Fez boas ligações e consolidou outras, algumas gastas pelo dia-a-dia que nos tira muitos interesses que se perdem no passar ralé das horas. Vivenciou o que é estar em outro lugar onde não se conhece ninguém, e ver nisso a força da uma amizade, nova ou velha. Do zelo pelo outro, do interesse desprendido pelo do lado.
À mim me surpreendeu também pelos agrados. Lápis de todas as cores e museus, marcando seus passos por lá, feito diário. Coleciono. Vejo nisso meu lado retrô.  E, atendendo a um pedido de mãe que espera sempre estar nos olhos de um filho - e , assim, ver a vida como ele vê - trouxe pedrinhas catadas pelos caminhos de aventuras,  Ávila, Segovia, Salamanca, Madrid, tantas outras. Pedaços de chão pisados por ele e por tantos outros. Pedaços de  sua história. Nelas, a certeza de que eu estava lá com ele. Era eu em seu olhar atento e seu pisar cuidadoso.
Meu filho voltou e tudo recomeça, tentando voltar ao normal. Mas bem sei que ele não é mais o mesmo que foi, nem eu a que fiquei. Somos outros, e outros seremos juntos. E, espero, neste presente, melhores.

4 comentários:

  1. Muito melhores....Acredite!!!!
    Bj nos dois
    Meg

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  2. Gostei da ideia das pedrinhas. Encantadora mesmo. Só podia partir de você, tão quanto. Volta e meia venho aqui e me encanto com sua forma livre de amar, de ver a vida. Você existe? Ou isso é só um personagem? Perfeita demais...
    Eu

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  3. Meg, espero mesmo que estejamos melhores! Essa é a ideia da vida, não?
    E quanto ao meu leitor que acha que não existo, sinto decepcioná-lo. Existo. E nada tenho de perfeita. Talvez um pouco verdadeira demais, o que nem sempre ajuda.

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  4. Me emocionei com teu relato de hoje. Acho linda essa ligação de amor entre mãe e filho. Que ela seja eterna.

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