domingo, 20 de fevereiro de 2011

Descoberta



Estava pesquisando sobre moda - não a delirante ou melhor dizer fulminate ? - que vai tão rápido quanto veio, tempestade de verão. Mas dos detalhes sutís, do que tem por trás de cada movimento, cada gesto, cada detalhe a mais. E isso vale para a moda fashion, a moda da decoração, arquitetura, literatura, quem sabe arte.
Se paramos para pensar, um contrapõe o outro. Há, por vezes, uma forma de adaptação, uma transição delicada, sutil, que nem se percebe. Mas logo depois uma de contraposição. Um minimalismo contra o barroco, o rococó da vida. Ou o contrário: muita coisa onde só tinha o mínimo. Nos acabamentos por exemplo. Vieram as cores vivas, fortes, por todos os lados. Laranjas e vermelhos, por vezes verdes vibrantes, estavam em todo lugar. Contra elas, o mar de escuro, os  marrons, os cinzas , os pretos. Na moda, do seco das linhas retas, ao que vimos no ano passado - e que ainda perdura - os balonês, os retrôs, os lacinhos por todos os lados, literalmente dos pés à cabeça.
E na minha caminhada de hoje, pesada e lenta por conta da cabeça cheia de coisas para pensar - ou esquecer, quem me dera -  pensava nisso. Do como sou assim no meu dia-a-dia. Faço da transição da moda coisa pouca. Minha SPFW é  imensa, rodamoinho de sentimentos.Tenho, por vezes, mil estações em mim em um só dia. Mil modas. Mil contradições. Não que eu seja assim, duvidosa, indecisa, não. Sei bem o que quero, talvez me falte noção de escolha. Na verdade, bela concusão, são fatos externos que tiram a minha paz, o meu sossego, o meu bem pensar de mim e de minha vida. Essa minha mania  - doentia, quem sabe  -  de deixar todo mundo bem, todo mundo na boa, nem que para isso me enterre, me reprima. Sofra atrás da porta. Sofra em silêncio, chore pelos cantos, me fazendo de forte - que é a pior forma de sofrer.  Isso me deixa aquém, muito aquém, de minhas possibilidades e sonhos. E, por não conseguí-los, nem os sonhos e nem deixar todo mundo feliz, encher-me de culpas e de desculpas. Tantas que nem caberiam num bom armário, destes, enormes, de revista. Nem no arquivo  nacional, eu diria.
E sigo assim, como a moda: um dia amorosa, outro seca; um dia risonha , outro chorosa; um dia batalhodora, outro medrosa. Um dia romântica, outro azeda.  Um dia sou pura esperança, outro descaso por mim mesma. Um dia me acho linda, outra um lixo. Deve ser pelas batalhas que  tive e travei por motivos não tão firmes. Não tão verdadeiros. Batalhas não compensadoras. As tantas batalhas fracas que enfrentamos no dia-a-dia como se fossem únicas, como se dependêssemos delas para sobreviver. Aprendo que não é. Aprendo que a única batalha que me merece inteira, completa e complexa, de corpo e alma, pulo no abismo, é me amar. E que sem isso não dá para viver.  Quem sabe assim alguém me ame como mereço.


"Quem é capaz de sofrer intensamente, também pode ser capaz de intensa alegria'.
Clarice Lispector


3 comentários:

  1. Já não era sem tempo... Te quero feliz!

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  2. Teu blog está demais! Teus textos cada dia melhores! Tens duvida ainda de que estas te amando mais? Eu não!
    Su

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