quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Salve, Jorge!


Acordei de madrugada. Do nada. Tendo o silêncio como companhia. E na calada - minha e da noite -  fiquei pensando na vida. Coisa mais estranha e interessante é viver. Acorda-se todo dia, põe-se a materializar ideias e sonhos. Faz-se muitos planos, traçam-se estratégias. O que era nosso, dá certo; o que não, nem era. Bom se fosse assim, e é, e lutar, por vezes insanamente contra isso parece ser o nosso maior contrassenso (assim, tudo junto, conforme a nova ortografia). Viver não é um simples preencher de agendas, nem feito de meras e intermináveis listas. É cada dia um enfrentamento - ou muitos - para se vencer a guerra, mesmo que, como soldado, não se saiba bem pelo que se luta. Acorda-se e deita-se planejando. Passa-se o dia no campo de lutar. Vive-se o amanhã, empurrado pelo ontem. E do presente - belo nome para o que está se vivendo agora - pouco se aproveita. Que pena... Por vezes nem vemos o lindo pacote...

Viver é assim mesmo, um jogo. Melhor dizer, uma guerra, nem sempre fria, feita de tantas e tantas batalhas - as  mais difíceis contra nós mesmos. Os amigos são muitos, velhos e novos aliados;  e os inimigos também, mesmo que ao nosso lado. A diferença está no torcer, a favor ou contra. E assim segue a vida, um dia se perde, outro se ganha, um se avança, outro se recua. Por vezes é bom ficar a espreita esperando o mau tempo passar. Outras, sentar e olhar o céu. Ou a chuva providencial que cai. Esperar o temporal, mas admirando sua beleza, já sabendo que o sol virá ainda mais forte depois. O que não se pode fazer é virar as costas e fazer de conta que o mundo é só de paz...

Eu tenho muitas coisas a enfrentar - dentro e fora de mim. Mas não fujo. Enfrento  da forma que acho que deva enfrentar.  E sem perder "la ternura", que nunca é demais. 
Espada e rosa. Disso são feitas as batalhas nos campos dos dias. Avançar e recuar. Ferir e curar. Um 'morde assopra' sem fim. O que se precisa é de proteção. Escudo. Seja no peito, no cabeça ou numa oração.

"Jorge sentou praça na cavalaria
E eu estou feliz porque eu também
Sou da sua companhia
Eu estou vestida com as roupas
E as armas de jorge
Para que meus inimigos tenham pés
E não me alcancem
Para que meus inimigos tenham mãos
E não me toquem
Para que meus inimigos tenham olhos
E não me vejam
E nem mesmo um pensamento
Eles possam ter para me fazerem mal
Porque eu estou vestida com as roupas
E as armas de Jorge

Salve Jorge
Armas de fogo
O meu corpo não alcançarão
Facas e espadas se quebrem
Sem o meu corpo tocar
Cordas e correntes arrebentem
Sem o meu corpo amarrar
Porque eu estou vestida com as roupas
E as armas de Jorge

Perseverança, ganhou do sórdido fingimento
E disso tudo nasceu o amor"

Parte da letra de 'Jorge da Capadócia', de Jorge Ben Jor

Um comentário:

  1. Tua arma mais forte são as palavras. Chamas de simples, mas não são...
    Beijos na alma!

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