sábado, 19 de fevereiro de 2011

Uma



 O dia hoje tem uma hora a mais, a mesma que nos tiraram quando começou o horário de verão. Estão nos devolvendo, menos mal. Uma hora  a mais. Parece pouco. Mas pense em sessenta minutos. Trezentos e sessenta segundos. O que fazer com tanta coisa?

As ideias são muitas. Pegar um livro, tipo Clarice Lispector, e aprender mais sobre o amar. Ou, no meu caso, esquentando as turbinas para meu TCC, sobre a cidade em que vivo, saber mais de sua histórias e seus porquês. Um filme, quem sabe, aquele que estamos sempre adiando - mesmo que se tenha que roubar uns minutos da outra hora que vem. E nele , uma pipoca vai bem. Devorar um pote de sorvete vendo um filme qualquer. Agarrar o filho sem querer mais soltar. Caminhar para sentir o vento em mim. Repôr o sono atrasado, esse companheiro bom que me tem faltado. Ligar para o meu outro lado, sempre tão ocupado. Lembrar da amiga que faz aniversário, soprar as velas de um bolo imaginário. Ligar para a mãe com quem tem se falado pouco. Ligar para o pai para ver como está. Ou simplesmente deitar na cama e deixar a vida passar,assim, meio calma, meio zen. Será que a chuva vem?

O dia hoje começou com sol , que já se cobriu de nuvens, por enquanto ainda leves, em mim. Estou como está o dia: meio sol, meio sombra, meio quente, meio fria. Tenho uma hora a mais e não sei o que fazer. Fazer dele um dia rosa ou cinza. Mas cabe a mim decidir se será uma hora a mais para me gostar ou me odiar. De ganhar ou perder. Lembrar ou esquecer. De fazer o sol voltar ou deixar que as nuvens virem chuva. Minha alegria é saber que depois do temporal o céu vem mais limpo. O sol mais quente. Parece simples assim. Eu, pelo menos, vou tentar.

É, parece que Clarice, a Lispector, previa futuros, inclusive o meu:

"Eu sou o meu próprio espelho.
E vivo de achados e perdidos.
É o que me salva.
Estou metida numa guerra invisível entre perigos".

Pior eu, que nem sei quais são, verdadeiramente, os meus perigos. Quem me dera ter um pouco menos de sensibilidade, não me deixar levar pelos atropelos da vida....Ou , bem ao contrário, ser mais rosa, menos breu. Mais eu.

2 comentários:

  1. Joyce, querida!
    A sua sensibilidade é única, bem se vê no seu jeito, seu carinho com os outros, nos seus textos. Nâo deve ser fácil, mas se posso fazer pedido, faço-o: não muda nada, não!Deixe que o mundo lhe siga!
    Marcus

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  2. És pura rosa, nunca esqueças disso, linda flor!
    Que o mundo te regue sempre como mereces,
    com amor!
    Samuel

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