terça-feira, 15 de março de 2011

Confusa


Eu, no meu dia corrido, vi que faltava algo: minha cura. Não parei desde cedo, dividida nem sempre igualitariamente entre ser mãe e ser empresária - e arquiteta, e jornalista e muit amais que sou ou tento ser - se é que posso me chamar assim. Mas meu tema veio cedo, bem antes desse cansaço que agora que toma conta: meninez. Postei no Facebook. As 'meninas' gostaram. Que poderíamos, nós, mulheres, sermos poderosas, e fortes, enfrentadoras desse mundo cão, mas sem perder a ternura, a la Che. Sem esquecer a doçura que nos alimenta. Mas o dia passou  - escorreu - e eu nem deixei a menina aflorar...

Tentei, juro que tentei. Mas com tantas oportunidades batendo à porta, tantos probelams pedindo soluções,  tanto da vida adulta chamando a minha atenção, que ficou difícil. Minha menina ficou brincando sozinha em algum canto de mim. Louca por um sorvete. Doida por correr ao sol, banho de mar. Talvez apareça agora em meio ao bocejo. Quem sabe no banho morno antes de deitar. Mas hoje não foi dia dela. Foi meu. Mulher.

Isso é bom, por um lado. Dá a nós, mulheres, uma confiança maior em nosso valor. Enfrentamos melhor o dia. Sentimo-nos mais capazes. Mas fica esse gosto de esquecimento de nós mesmas no final do dia. Um saldo azedo, ruim de amargar. E as culpas, velhas companheiras de sempre, a atucanar. Um deitar cheio de 'deverias'. Deveria ter rido mais. Deveria ter feito mais cafuné no filho, caminhado com o cachorro, sentado ao lado do amor para namorar. Ligado para a mãe para pedir colo ao invés de dar. Chupado um picolé, destes que mancham a língua. Tomado coca-cola fervilhando a boca. Comido o sonho tão sonhado, recheio de doce. Mas não, não, a mulher está sempre de dieta...Mulher é cheia de nãos.

A menina, hoje, ficou muito fora de meu ser. E eu fora da casinha de brincar. E o amanhã promete mais. Melhor me organizar, pelo menos para rir. Pelo menos para sonhar. Quem sabe me cuidar, dar mais carinho a mim. Ao que ao meu lado está. Quem sabe o sorriso vem e não me larga mais? Quem sabe a menina pega a mão da mulher e a chama para passear...


"Estou na caridade da evolução do meu ser.
Quero ser menina, encontro-me mulher...
Quero ser mulher, vejo-me menina...
Ferreira Gullar

4 comentários:

  1. Quanta doçura! Acho que estás enganada: a menina nunca te larga! Texto gostoso de ler!

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  2. Enfim!!
    Feito menina estava eu aqui esperando ansiosa seu texto como quem espera o doce prometido! Viciei!
    Corre para os braços do teu Paco e pede colo! Mereces!
    Beijos da tua "amiguinha de infancia" Mia

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  3. Ali estava eu, a menina esperta demais, e eis que tudo o que em mim não prestava servia a Deus e aos homens. Tudo o que em mim não prestava era o meu tesouro.........
    ADOREI COMO SEMPRE O TEXTO, SOU SUA AMIGA FÃ, EM VÁRIOS SEGMENTOS!!!!COMO SEMPRE ACHEI VÁRIOS FRAGMENTOS MEUS EM SEU VIVER!!!
    Coisas de mulher menina!!!!

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  4. amendoeira irenesábado, 19 março, 2011

    eu nuncative confiança em mim logo de pequena sempre me senti inferior às outras meninas da minha idade ainda hoge me lembro é difissél para uma criança e esse sentimento me segue ainda hoge
    *

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