segunda-feira, 14 de março de 2011

Fichinha


Dia cheio, agenda 'lotada', mas frase estava lá a me puxar, feito imã:

"Se você não gosta de alguma coisa, mude-a. Se você não pode mudá-la, mude sua atitude. Não reclame!"

Li essa frase, aparentemente sem dono, e fui atrás do autor/a : Maya Angelou
Nascida Marguerite Ann Johnson, em St. Louis, Missouri, 1928. Maya tinha tudo para dar 'errado": criada pela avó, estuprada aos 8 anos pelo namorado da mãe. Trauma e anos de mudez, finalmente superados com a ajuda de uma vizinha atenciosa, e um grande amor pela literatura. Amor. Reli. Sempre ele a achar, acordar, apoiar, fazer seguir.

Vida cheia de 'primeiras": aos 17, primeira motorista negra de ônibus em São Francisco, e mãe solteira logo depois. Segue sendo a primeira mulher negra a ser roteirista e diretora em Hollywood. Na década de 50 - já como "Maya Angelou", se afirmou como atriz, cantora e dançarina em várias montagens teatrais . Nos anos 60s, amiga de Martin Luther King Jr. e Malcolm X,  trabalhou anos para o movimento de direitos civis. Fez a África como jornalista e professora, ajudando vários movimentos de independência africanos. Em 1970, primeiro livro, I Know Why the Caged Bird Sings, nomeado para o Pulitzer Prize em poesia no ano seguinte. Enfim: poeta, escritora, ativista de direitos civis, e historiadora, entre outras coisas - leia-se atriz, dançarina, e cantora, trabalhos autobiográficos. Em 1993, leu um de seus poemas na posse de Bill Clinton como presidente; este foi um dos pontos altos de sua carreira: recebeu o Grammy de melhor texto recitado pela leitura do mesmo, e novamente a trouxe para a vista do público.

E eu, que tinha começado o dia - ou já desde ontem, porque adoramos nos pré-ocupar das coisas -  me achando um poço de coisas a resolver. A frase me veio como um freio, não dos que endurecem, mas do que incentivam a seguir. Revi minha vida em um minuto. Infância boa de menina loira de olhos azuis, pele branca. Pai e mãe. Colo, carinho, comida. Colégio. O máximo de problemas:  quatro irmãos para lidar, uma educação por vezes cobradora demais, um pouco de bulling ( na época nem tinha sido batizado como tal) , o se achar feia como toda adolescente. O teimar em fazer o que queria. Fui. Fiz. Acertei e errei. Uma vida moldada como deveria ser: fogo e água, como se faz com o ferro para se dar a ele a maleabilidade necessária para a serventia final. Muito riso, pouco siso, muitas surpresas, boas e ruins. Enfim, a vida como ela é. Longe, muito longe de vidas - e mulheres - como Maya. Tantas por ai, umas raras reconhecidas, outras tantas não. Tantas Mayas que dormem com fome e medo, que levantam cedo para batalhar pela sobrevivência delas e dos filhos. Tantas Mayas de punho fechado lutando pela vida de tantas outras. E eu aqui, sentadinha e plugada, reclamando do nada...  

Não posso me punir, nem me vangloriar. Sou normal. Sou mulher. Nem Maya, nem Polliana. Nem luxo, nem lixo.  Nem só erro, nem só acerto. Perda e ganho. Eu apenas, como vim ao mundo e dando a ele o meu melhor. Moldando meus dias. Crescendo e maturando. Mas, baixando minha bolinha e fazendo do meu dia nem paraiso, nem inferno, como o ontem quis pintar. Apenas, presente. Belo presente.

2 comentários:

  1. Coincidentemente essa frase caiu em minha vida este fds e cá estava eu a procurar a autoria, e achei seu texto. Texto que amei, presente do dia como dizes. Li outros, belos presentes. Não se substime, jamais! Meu presente foi achar seu blog! Fazes muito mais pelo mundo do que pode imaginar...
    Carmem

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  2. Eu adorei ler seu blog.. seu perfil.. que graça! Que bacana, adoro encontrar coisas e pessoas interessantes!

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