terça-feira, 1 de março de 2011

Lumiar




Anda, vem jantar,
Vem comer, vem beber, farrear
Até chegar Lumiar

E depois deitar no sereno
Só pra poder dormir e sonhar
Pra passar a noite
Caçando sapo, contando caso
De como deve ser Lumiar

Acordar, Lumiar, sem chorar,
Sem falar, sem quer
Acordar em lumiar
Levantar e fazer café
Só pra sair caçar e pescar
E passar o dia
Moendo cana, caçando lua
Clarear de vez Lumiar

Amor, Lumiar,
Pra viver, pra gostar,
Pra chover, pra tratar de vadiar
Descansar os olhos, olhar e ver e respirar
Só pra não ver o tempo passar
Pra passar o tempo
Até chover, até lembrar
De como deve ser Lumiar

Anda, vem cantar,
Vem dormir, vem sonhar, pra viver
Até chegar em Lumiar
Estender o sol na varanda até queimar
Só pra não ter mais nada a perder
Pra perder o medo, mudar de céu, mudar de ar
Clarear de vez Lumiar

Lumiar, de Beto Guedes e Ronaldo Bastos


Nada como começar o dia com uma música que nos ponha para cima. Não há tristeza ou mal humor que resista. Pelo menos em mim.
Tenho essa mania dita polianesca e infantil de achar graça da vida. Nas pequenas coisas, as mais simples, que são as melhores. Sou feito cachorro abandonado: abano o rabo na menor demonstração de ternura da vida. Não sei ser diferente, mesmo o circo pegando fogo: faço da fogueira, festa.
Ok, estou exagerando. Sempre tem uma coisa ou outra que me abate. Sou sensível ao mundo. Principalmente ao que os outros me passam. E por bem me saber assim, tomo um certo cuidado, 'abafando o caso'. Tapando o sol com a peneira? Pode até ser. Mas já muito me lamentei e chorei e não consegui nada além de cara amassada. E olheiras.
Ontem resolvi ler meu horóscopo do ano, e como eu sou ( como se não soubéssemos..mas é que se acredita só quando o outro fala...). Porrada e afago. Não vai ser fácil, eu já lia rindo de mim mesma, como que me incentivando a não parar e ver o ano simplesmente passar.  Muito trabalho, muita realização, desde que eu me distribua bem, digamos assim, nas mil facetas das vida - trabalho, estudo, familia, amigos, amores. Doe mais de mim (mais?). Que pare de negar meu poder pessoal, que pare de me autossabotar e impunhe com firmeza a minha lança. Que me seja em minha pelnitude. Que me respeite e respeite os outros. E tudo com muito senso de justiça...
Ah, e mais leveza nos atos e na comunicação. Mais doçura no olhar, para contrabalancear o ano 8, da realização. Mais  rosa, como diz minha amiga Mon. Mais feminino. E mais gratidão, sempre. Para me fazer merecer o que vem de bom.
Li e reli. Achei muito de mim ali. Chacoalhão. Coisas que o Amor já tem me dito desde sempre, desde que veio morar em mim outra vez. Hora de acordar e aprender a escutar - ao outro e a mim mesma. Como ele sempre diz...Melhor acreditar.

Um comentário:

  1. Realmente você escreve muito bem. Usa de doçura. Fala direto com quem lê e por isso, toca.
    Persuasiva pelas beiradas. Gosto. Deve ser bom conviver.

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