sexta-feira, 4 de março de 2011

Marchando




Nada como ter amiga que sabe das coisas. Ou pelo menos é curiosa, como eu. Ela diz que Carnaval é um período de festas regidas pelo cristianismo. O período é marcado  - ou deveria ser - pelo "adeus à carne" ou "carne vale" dando origem ao termo "carnaval". Rituais - ou tradições - da Quaresma. Dos tempos em que eram respeitados, seguidos. Assustaram? Eu também...
E fui além. O famoso Carnaval de Veneza surgiu a partir da tradição do século XVII, onde a nobreza se disfarçava para sair e misturar-se com o povo. Por isso, as máscaras.  Há, no entanto, registros de folguedos carnavalescos de 1268! Já esse "carnaval moderno", feito de desfiles e fantasias, é produto da sociedade vitoriana do século XIX. E não é 'produto nacional', não se enganem. A cidade de Paris foi o principal modelo exportador da festa carnavalesca para o mundo. Cidades como Nice, Nova Orleans, Toronto e Rio de Janeiro se inspirariam no carnaval parisiense para implantar suas novas festas carnavalescas. Já o Rio de Janeiro criou e exportou o estilo de fazer carnaval com desfiles de escolas de samba para outras cidades do mundo, como São Paulo, Tóquio e Helsinque.
E está no Guinness Book como o maior carnaval do mundo. Em 1995, o Guinness Book declarou o Galo da Madrugada , de Recife, como o maior bloco de carnaval do mundo. Enfim, os maiores estão por aqui.
Ok, chega de dados. É que estou eu aqui em plena sexta - feira de Carnaval com cara de quarta - feira de cinzas, curtindo uma fossa do nada, escrevendo  e ouvindo músicas. E o mais longe possivel das marchinhas que tanto já pulei.
Ah, os bailes de clube. Não me engano sobre a coisa. A gente ia para ser vista e os meninos para nos ver. Sempre gostei e me esforço para saber porque parei. Nem me lembro quando foi. Talvez o clube não me caia bem. Isso já foi, ninguém mais me vê ou me segue. Não me procuram no salão.  Se fosse a um baile destes, estava fadada a ser uma daquelas titias a dançar sem sair do lugar, se abanando com um leque, doida para entrar na roda. Mas ainda não desisti de todo. Quem sabe um bloco de rua, seguir um trio elétrico. Isso se eu tiver fôlego, claro. Ânimo , mesmo - e até porquê. Subo ladeiras íngremes, mas não dou uma volta no salão. Acho mesmo que só se aguenta isso movido a muito 'algo', muito álcool - e  não estou falando o do carro. Ou quem gosta mesmo. Eu não minto, sinto falta. Talvez  tenha me acostumado sem isso e sem tantas coisas que já gostei, como dançar. Ou talvez deteste ficar de fora. Gosto, não nego. Mas não dessa loucura desmedida, mar de gente. Talvez de um carnaval às antigas que nem vivi. Um carnaval romântico, romancizado em mim. Poético, mágico, o sambista de terno branco, lapela com flor. Eu, de saia rodada, minha flor no cabelo, talvez.  Talvez de máscaras, sempre tão misteriosamente interessantes. A banda tocando marchinhas ingênuas. Talvez só me falte a máscara.  Assim eu me divertiria, anônima, e ninguém iria saber. Talvez esteja ai a graça da coisa: ser outra. Ou outro. Personagem da vez.
É...acho que meu carnaval ideal só existe em filme de época... E dentro de mim.

Tristeza
Por favor vai embora
A minha alma que chora
Está vendo o meu fim

Fez do meu coração
A sua moradia
Já é demais o meu penar

Quero voltar aquela
Vida de alegria
Quero de novo cantar
Quero de novo cantar

Tristeza, marchinha de Carnaval de Haroldo Lobo e Niltinho




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