domingo, 20 de março de 2011

Tão eu



Minha intuição estava certa e me fez disparar de alegria ontem quando o filme 'pousou' na minha mão: Julie& Julia, com Meryl Streep ( impagável!) e Amy Adams que, coincidentemente - ou não? - tem passado muito pela minha vida ultimamente (um inclusive comentei aqui, com as duas juntas, onde era um freirinha...), minha nova 'paixão" das telinhas. Não sabia bem do teor - a não ser que era sobre comida, o que adoro. Nem imaginava o resto, as lutas, o blog, nada. Nem me imaginava tão 'dentro'.
Filme tão meu.Tão eu.
O filme trabalha de um jeito dinâmico, que gosto, meio passado, meio hoje, coisa que me prende. Do como as coisas de ontem são iguais hoje, como se repetem , apesar - e graças - á tecnologia, essa diferente, facilitadora. Mas nossa cabeça, por vezes - e dependendo do assunto, quanto mais básico for -  familia, amor , relacionamento, lutas - não muda. Nem nosso jeito. Quantas vezes já me vi gesticulando como a minha mãe? Ou fazendo coisas que ela fazia? Vivendo o que viveu. Ou falando o que ela falava - ou fala, melhor presentificar as frases, já que está viva  - e  bem viva. 
E fui assistindo, e me achando, assistindo e me achando. Nos trejeitos de uma e de outra, no modo de pensar de uma e de outra, no modo de agir. Na delícia de viver cada momento, deixando transparecer nos "hummmm", nos suspiros ao longo do dia, nas risadas largadas livres sem nem pensar, no ver a vida de forma inteira, no dedicar-me a momentos tão simples como o provar uma boa comida, sentir novos gostos, conversar com alguém na rua, declarar meu amor pela vida e por ele mesmo, o amor. No que sempre falo, minha tecla frouxa de tanto bater: ser feliz com todo e qualquer presente que a vida me dá.
Presentes. Tenho recebido muitos, discretos, talvez até porque a vida sabe que ando precisada. Meus bolos do dia, que caio de boca, matando minha fome de viver.  Meu agradecimento por mais esse - um belíssimo filme, leve e delicado, ao lado do filho ( e comendo sorvete , é claro...). Fiquei grata de ver que existem, gracias, mulheres como eu. Que não sou 'louca' sozinha, e que a sala de  'ser quem você quer ser ' se enche. Que se emocionam com pouco que é muito.
Com o incentivo do outro - no filme, incansável  e dedicado marido;  na vida , amor em bouquets de pequeninos gestos e muitas palavras, papel de cor. Com o  incentivo de amigos - e entre eles muitos simples conhecidos que viram amigos para sempre, quando me mandam seguir. Com o filho que se emociona com a sua emoção vertida dos olhos. Mulheres que não desistem de nada, que sempre vão à luta - seja ela sã ou nem tanto - o que pede um pouco - ou muito!- de loucura. Que se rendem a propósitos que poucos acreditam e muitos criticam, mas não sai da linha. Que não fecham o livro dos sonhos. Não fecham o coração. Não deixam passar. Não levam a vida por levar. Vivem, como dá, mas vivem. E nesse 'simples' viver, muito.
Hoje o dia ainda vai pedir mais - como me pedem todos os dias, e dou. Hoje sou mais. Melhor que ontem. Tomara menos que amanhã. O amor há de gostar.

"A vida é maravilhosa se não se tem medo dela".
Charles Chaplin

2 comentários:

  1. Não vi mas fiquei com vontade de ver!

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  2. O filme é maravilhoso, tocante e divertido, do nunca desistir do que somos e do que queremos...

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