quinta-feira, 31 de março de 2011

TPM



Março se foi. Na verdade, veio e foi como um cometa. Melhor: uma estrela cadente, que não se espera - e nem deu tempo de fazer grandes pedidos, a não ser o de sobreviver. Um dia chove e faz frio, outro chove e encalora, 'menopausico' mês, e eu tentando me equilibrar entre um pingo e outro.
Minha TPM, "tensão pró Março"...
É num mês assim que passa rápido, mas tão rápido, que nem me dei conta do quanto fiz, meus milagres de 'super me ser'. A 'super tudo', querendo agradar a gregos, troianos e outras tantas espécies. Aulas retomando ( meu oásis , acreditem!), aniversário de filho ( 16 primaveras - ou verões?), viagens a trabalho, festa em família. Muito de tudo, como já falei aqui. Como se Março fosse um grande pássaro de muitas asas e eu estivesse nele, pendurada na cauda. Voou longe, alto, imponente, e eu tentando me segurar para não cair - nem em tentação, nem em covardia, nem do céu de anil , ou de chuvas. Chuvas, sim, muitas chuvas. De molhar bobas como eu ou de encharcar até as mais espertas.
Ai que está a diferença: em Março a gente mofa. Cria limo no corpo e n'alma. E paralisa, já que não caminha. Chove muito. São as águas de Março mais cantadas de todos os tempos. E mais teimosas. Fechando um verão que já vai tarde - pelo calor da temperatura e da confusão em mim. Abrindo um Outono que promete - e já cumpriu,  mesmo bem antes de nada prometer. Sem nada me fazer esperar- e que bela surpresa me deu, embrulho de me amar. Um Outono sem expectativas a não ser de me dar um dia após o outro - e que eu faça deles melhor proveito.  E fiz, como deu. E dei como quis. Muito de mim. E valeu. Vale. Sempre.
Quando menina, gostava do Verão, tempo de praia, amigas, brincadeiras e namoricos. Hoje, mais madura - mas bem antes de cair do pé e longe de virar geléia ou estar imprópria ao consumo - prefiro o Outono. Mais ameno, mais constante, mais silencioso até, poderia eu dizer. Mais acolhedor. Mais pleno de mim e de amor. Mais chá morno e coberta macia. Mais vento matinal e sol que aquece, mas não judia. Mais vontade e  menos preguiça - a não ser a de sair correndo por ai.  Mais café com leite pela manhã e sopa na noite.  Enrosco no sofá até dizer chega. E esses intermináveis tapetes de folhas por onde adoro passar, feito atriz em noite de gala.
Março se foi e levou a correria. Estou mais calma, quem diria. Como se o vôo do grande pássaro tivesse , enfim, terminado, belo pouso. Eu, agora, de pés bem firmes no chão outra vez. Mais segura de mim e do amor em mim. São as águas de março fechando o verão, é  a promessa de vida no 'meu' coração...
Nada melhor a declarar...

"São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
pau, pedra, fim, caminho
resto, toco, pouco, sozinho
caco, vidro, vida, sol, noite, morte, laço, anzol

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração".
Águas de Março, música de Tom Jobim, eternizada pela pimentinha - Elis Regina



2 comentários:

  1. Pelamoooooooooooooooor!!!
    "Hoje, mais madura - mas bem antes de cair do pé e longe de virar geléia ou estar imprópria ao consumo"...to rindo até agora uauauauaua isso q gosto, sua sinceridade chega a ser morbida consigo mesma...e por isso tão linda, tão doce, tão tudo, tesão de mulher (ai, passei -------------paco desculpa ai!!!!)
    AdEvinha? Miazinha

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  2. Adorei! Comecei lendo o texto influenciada pelo titulo e acabei dando risadas de mim mesma! Como somos facilmente influenciadas!
    MARAVILHOSO!!! A historia da fruta, então ri muito!!!! Acabou com a minha kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    Juh

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