quarta-feira, 2 de março de 2011

Verdades



Estou aqui, queixo apoiado na mão, como quem precisa de descanso. E são só 9hs da manhã. Não estou triste, longe de mim! Só pensativa. Tentando acertar meus ponteiros. Tenho visto que quanto mais me aprofundo em certos temas, mais me vejo ingênua perante a vida. Isso tem um lado bom, que me vacina. Mas tem outro, o de me descobrir dormindo. Teria um meio termo?
Estou lendo -muito - sobre a colonização do país e seus porquês. Tudo bem que os europeus "fizeram a América", como se diz por ai, mas a troco de muito sofrimento. Encurralados lá pela pobreza extrema ou perseguições de toda ordem, e sonhando com a  mentira vendida do "paraíso na terra" daqui, quanta desilusão. Se soubessem que faziam parte de um plano 'mirabolante' e bem pensado de substituir os escravos e as 'raças inferiores e bastardas" no sentido de 'limpeza' da  raça brasileira, de 'branqueamento' do país, vê-se que as ideias de grandes inimigos da humanidade fizeram escola. Por parte dos países de origem sonho de "filiais' por aqui, em troca de fornecimento de matéria prima e consumo de seus produtos. Resumo: abertura de mercado. Isso rege o mundo até hoje, nada de novo. Se tiveram que abrir picadas e morar em casas de cobertura de palha, se passaram fome e perderam a  sáude - ou se perderam - , ai já são "outros quinhentos" ( de onde vem essa expressão?). E se foram, de alguma forma, usados para garantir o progresso de nações, ou melhor dizer de pequenos grupos de cada uma delas, de lá e de cá, já são 'detalhes' a serem escondidos. A verdade oculta. E me fazem lembrar dos 'nordestinos' que fizeram mesmo caminho dentro do Brasil, com suas pertences enroladas em panos, e foram/são tão preteridos ( para ser delicada), mesmo se sabendo necessários ao desenvolvimento dos grandes. E saber que onde moro, Joinville, foi presente de casamento de príncipes, que nunca sequer conheceram ou usufruiram de suas terras, que a casa que fizeram para os presenteados nunca foi usada por eles -  e virou museu - , são meros detalhes pitorescos. Viraram sapos nas páginas da histórias, peças de cera. Esse 'conto de fadas' não me comove mais.
Ou me faz rir ou me assusta.
Mas, reconhecimento de minha ingenuidade bem à parte, as devidas fichinhas caídas - ou o que me foi permitido até então - onde vejo tudo de forma mais romântica, adoro saber da verdade das coisas, mesmo que doa. Prefiro saber em que terreno piso. E se piso. Não tenho tarimba para conviver pisando em ovos, suspeitando da próxima esquina, do próximo passo. Do próximo ato. Tomando cuidado para ver onde e com quem vou. Sei que é disso que se faz a vida, de reconhecimentos, de tatear os momentos, mas é tão bom quando se vê livre disso. A verdade deveria ser nossa eterna companheira. Senão, o que fica- e aqui usando uma palavra que escuto muito e tento entender na medida certa - é o ressentimento. O que eu sinto e o que eu causo. E saber bem diretinho a diferença, por vezes tênue e cuidadosa, entre omitir e mentir.
Acho que, mais uma vez, vou ter que concordar com Clarice Lispector

"O bonito me encanta. Mas o sincero... Ah! Esse me fascina".

É...hoje estou séria. E tem gente que acha que sou pura festa...Mas reconheço em mim todas as partes, cada dia mais completa - e complexa? E meu saldo é um belo sorriso. Isso me move. Como sempre.

6 comentários:

  1. Pois eu acho que está na medida certa: nem tanto o céu, nem tanto o inferno.
    De gente amarga, que só vê problema e tristeza, o mundo já está cheio!
    Vejo você como aquela pessoa que ilumina por onde passa, que alegra o ambiente ser ser exagerada. Que ama na medida certa. Vida e pessoas? Acertei?
    Se eu fosse homem, não deixava escapar!
    Mia, sempre eu a confundir por aqui. Cadê o príncipe?

    ResponderExcluir
  2. Mia, me fizestes rir e muito!
    Tudo bem que isso não é dificil rssssssssss
    O príncipe? Não sei...sumiu por aqui...deve estar indeciso...
    Enfim , sou mulher, nada fácil de entender nem de aguentar!
    Grata pelo teu carinho,
    Joyce

    ResponderExcluir
  3. Ah, e pensando bem sobre o principe, já estou com um texto no forno...

    ResponderExcluir
  4. Isso que sempre admirei em ti. Tens doçura e força. Vejo isso no teu filho, um doce de criatura, sempre pronto a ajudar, a ser justo.
    E tomara esse 'príncipe' chegue logo. Mereces!
    Beijos,
    Ana

    ResponderExcluir
  5. Príncipe? Que príncipe? Hein? Hein? Vê lá, bom...

    Paco (Ex-anónimo, rsrs...)

    ResponderExcluir
  6. rssssssssssssssssss,Paco...
    Todo homem pode ser um príncipe - ou seria o contrário? - desde que ame a mulher, mesmo do seu jeito...E que demonstre isso. E que se deixe ser amado...Ai já temos uma boa chance...nem precisa de cavalo branco..

    ResponderExcluir