sábado, 16 de abril de 2011

(A)corda


Por tanto amor
Por tanta emoção
A vida me fez assim
Doce ou atroz
Manso ou feroz
Eu caçador de mim

Preso a canções
Entregue a paixões
Que nunca tiveram fim
Vou me encontrar
Longe do meu lugar
Eu, caçador de mim

Nada a temer senão o correr da luta
Nada a fazer senão esquecer o medo
Abrir o peito a força, numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura

Longe se vai
Sonhando demais
Mas onde se chega assim
Vou descobrir
O que me faz sentir
Eu, caçador de mim

Ontem não escrevi. Dia confuso, intenso, que me cansou até de mim. Deve ter sido por isso que acordei hoje bem antes do galo cantar. Aliás, cá entre nós, sempre achei o dormir - quando não se quer ou se tem coisa melhor para fazer - uma obrigação. Sempre me vejo contando as horas que passei na cama para ver se agrado aos tantos médicos e suas dicas. E vejo que sempre faltam horas para as contagens deles e sobra para mim. Como se  a vida fosse matemática da mais pura. E ai fica aquela  incômoda discussão interna entre meu lado físico e meu lado cerebral, dois 'chatos de galocha'. Um reclama -  sempre!-  que dormi pouco, que assim não vai aguentar mais um dia. O outro, que é invariavelmente quem me acorda na madrugada para conversar, não está nem ai: acorda à mil, ganhou mais uma batalha, o intrépido lutador. Ah, e meu emocional? Já descobri. Detesta mais é que eu fique caraminholando na cama, girando de um lado para outro.Não, não tenho Síndrome das Pernas Inquietas, não. Minha síndrome parece ser outra: Sindrome do Cérebro Inquieto. Defeito de fábrica, sinto dizer, não arruma mais. Meu ditado é um pouco diferente: cabeça que nasce à mil , morre à mil.
Deve ter sido por isso que acordei com essa música na cabeça. Devia eu estar me caçando na noite barulhenta, destas que parece que ninguém está nem ai, trocou o dia pela noite e o resto do mundo que se resolva. Hoje estamos sonolentos , convivendo com o capeta, e eles, penso, dormindo feito anjos, imagino.
Mas enfim, não sei se foi o barulho da noite, o calor das horas, o documentário realista que não devia ter visto. Ou essa tosse que resolveu fazer morada em mim - e nela muito de emocional, desconfio - mas meu cérebro veio à toda desde cedo, muito cedo. E trouxe com ele essa música que diz que nada devo temer a não ser a luta. Nada a fazer senão esquecer o medo. Abrir o peito numa procura. Fugir às armadilhas da mata escura - ou da noite escura?
Paro, penso, pego o que me serve e deixo o restante seguir viagem - dou até lanche.
Noite mal - ou pouco - dormida é assim. Fico alerta. Como se esperasse alguma coisa. Os cães que latiram na nada calada da noite , dormem. Os festeiros também. Eu? Sigo como dá. Tenho aula, e daqui a pouco. Só espero que meu cérebro não faça amizade com o sono - que anda 'bem' de mal comigo, quem sabe se vinga dessa forma. O dia vai pedir e vou ter que dar. De onde vou tirar ainda não sei.  O que e  até quando, não sei. Melhor fazer um café para me acordar. E fazer desse dia não 'só mais um dia' e sim, um bom dia.

Por tanto amor
Por tanta emoção
A vida me fez assim
Doce ou atroz
Manso ou feroz
Eu caçador de mim

( Caçador de mim, música de Luís Carlos Sá e Sérgio Magrão,
 eternizada pela voz doce de Milton Nascimento)




3 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  2. o que te acordou é o grito do guerreiro!!! ou seja a guerreira que fez morada em vc!!!seu coração inquieto, seu cérebro borbulhante de energia criativa e sua raça sem fim, não tem necessidade de tanto sono assim.
    uma vez questionei o médico se eu seria bipolar por ser assim também, ele riu e me disse ( Geane dá serviço pra sua cabeça, tudo que vc faz é pouco para ela!!!) SIMPLES ASSIM...DEIXA AS COISAS QUE PRECISAM FLUIR...FLUIREM.

    ResponderExcluir
  3. Fazia tempo que não lia seu texto, mas esse "Paro, penso, pego o que me serve e deixo o restante seguir viagem - dou até lanche" arrancou d emim uma gargalhada de fechar a rua kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    amo voceeeeeeeeeeeeeeeeeee
    Mia

    ResponderExcluir