quinta-feira, 7 de abril de 2011

Amarrada



Hoje, pego minha nau e sigo rumo ao meu porto feliz. Fico aportada lá por dez belos e proveitosos dias. Faça sol ou faça chuva, aqueça ou esfrie.
Porto, como chamo, me faz bem. E são tantos os motivos... Se fosse resumir, dava título já meio conhecido: Estudar , viver, amar. O comer fica de troco. O rezar está embutido nisso tudo. Estudar, coisa que gosto e sinto necessidade, coisa de DNA corajoso. Minha mãe fez pós depois dos 70. Não, não nos anos 70, e sim ,70 anos. Eu, beirando os 50, assumo aqui, sinto-me nova em folha, mesmo numa turma em que sou mais velha até que os professores. Sinto medo, sim, a cada bloco de aulas novos, novo mestre, novos ensinamentos. Mas esse medo, já tão explicado ainda ontem, faz bem. Dá adrenalina e força. E até rio à toa , depois de me achar sempre incompetente e eu mesma me provar o contrário. Coisa minha. Coisa de quem espera demais, da vida e de si mesma.
Viver porque lá sou dona de meu nariz - e com ele vem o conjunto todo. Faço meus horários, faço meus contatos, faço o que me dá vontade. Como se dá fome, bebo se dá sede. Falo com quem quero falar ou fico muda se me dá na telha (estranho esse dito...seria cachola?). Sou bem recebida onde vou, sempre,  e passeio nas ruas como se fossem minhas ( e nem pretendo mandar ladrilhar rsssss). Curto uma solidão necessária e falo pelos cotovelos quando a vida chama.
A, e amar? Bom. Vir a Porto de 15/15 dias, levar horas para chegar e ainda chegar feliz? Só amando. Eu, o que faço, pelo que luto, tudo que sonho, tudo que espero disso tudo. O que me espera. Até porque o Porto me recebe sempre muito bem. Sorriso sincero, abraço apertado, marinheiro no cais. Amarro meu barco da melhor forma e começo minha aventura de viver com os pés bem pisados no chão. Mas a cabeça, ah, a cabeça dividida entre a terra e as nuvens...E sem pressa nenhuma de levantar âncoras. Essa terra tem ainda muito chão para se desvendar...Amarra bem ai, companheiro!
E  Porto ainda tem Quintana. No hotel cor de rosa e no banco da praça, de papo com Andrade. E Porto tem o café do cofre. Tem Ipanema. E salada de fruta do mercado. Tem vitamina, tem proteína  esais minerais. E sebos maravilhosos. O mais lindo pôr do sol que já se viu. Tem um lago que se diz rio - e tem cara de mar.  E tem sempre moranga caramelada, onde quer que se vá. E tem o mate. E tem o "bah, trilegal". E as queridas letras de Ney Lisboa para me emocionar. E tem Diehl de monte, para me acompanhar. Deu pra ti, baixo astral! Amor de arrimo! Amor geral!
E eu, que de boba não tenho nada, nem o dedo pequenino do pé, lembro da bela lição que vem do doce olhar de Quintana:

"A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali...
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!"
Mário Quintana

























Um comentário:

  1. Mas, bah, guria, que tri! Minha cidade vai estar melhor!! Já es prata da casa!
    Bjs
    ma

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