segunda-feira, 18 de abril de 2011

Benvenuta



Dia contrariado, segunda estranha - mais do que tantas! Chego em casa de viagem antes do dia clarear - minha rotina desde que teimei em estudar fora - e o que vejo é o caos. Dois homens  - será que são? -  em casa , sozinhos, em um fim de semana , e o até então lar bem cuidado mais parece daqueles que achávamos graça nos tempos de estudantes, sem pai , nem mãe. Nem juizo e nem bom senso, vale  dizer. Entro e não a reconheço. Não me reconheço nela. Não me acho dentro dela. Nem na pia cheia de louça e lixo. Nem na mesa cheia de compras erradas. Nem na sala feita de depósito. Muito menos no armário cheio de falsas comidas - um batalhão delas, capaz de infartar o mais cuidadoso dos mortais. Como se nada ali fosse meu. Nem casa mais minha também.
Então me vem a frase do grande poeta Pessoa, o Fernando, presente do dia:
"O homem é do tamanho do seu sonho".
Dou uma gargalhada e penso em tantas brincadeiras que faço e participo e me imagino enorme! Uma baleia gigantesca encalhada na praia errada! Se vai sobreviver, só Deus sabe. Ele não a fez para aquele lugar. Se ela teima em voltar, e voltar e voltar, de quem é o erro?
Sim, sou enorme. Se sou do tamanho de meus sonhos, nem caibo em mim. Nem no mundo, esse, que se diz meu. "Tenho em mim todos os sonhos do mundo", disse o mesmo poeta certa fez.  O meu, depende do dia, e da ocasião, feito a que faz o ladrão.  Hoje me sinto enorme. Meus sonhos são muitos, um apanhado de boas coisas, nem todas mensuráveis e fáceis de se achar, como paz e sossego. Parece ser bem o contrário. Enquanto alguns sonham com a  casa cheia de eletrose outras mordomias, eu sonho com uma casa cheia de  mim. Enquanto outros sonham com a Megasena acumulada, eu só quero o suficiente para não morar debaixo da ponte. Um lugar só meu, com a minha cara, com o meu jeito. Meu cheiro, minha gargalhada no ar. Com "meus livros,meus discos e nada mais", como cantava Elis. E lá, não depender de ninguém nem para ser feliz.
A não ser do amor.

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