segunda-feira, 25 de abril de 2011

Estatuto meu




Passado mais um feriadão, sobrevivi. Sobrevivi ao convívio de quem me queria por perto e de quem não. Fiz um pouco do que queria e  um pouco do que devia - se é que devo algo a alguém. E me expus - e me entendi, talvez me curei - como pude em meus textos, todos recheados de lembranças. Talvez para me tirar do presente. Talvez para me dar base para o futuro, quem sabe. Se Páscoa é renovação, como dizem, tive. Muitos dias tentando me ser e consegui, pelo menos, saber o que não quero ser. E que se danem as tradições!
E descobri em mim coisas novas, como tem me vindo muitas, desde que resolvi me viver mesmo à revelia dos fatos. E o constatado é simples, inteligível para quem tiver boa vontade. Não preciso que me digam o dia - ou os dias, melhor me fartar de vez -  que devo comemorar a vida. Que devo fazer uma boa comida. Que devo me fartar de algo. Que devo fazer surpresas a quem amo, inclusive a mim. Que posso me empanturrar de chocolate, nem que não seja a época. Ou comer bacalhau. Não serão campanhas, nem calendários, nem opositores ou impositores que me farão feliz ou infeliz em um só dia da minha vida. E, revoltada que sempre fui e voltei a ser, serei feliz até em segundas cinzentas e atarefadas. Fareis delas lindos domingos de sol, desses de show em plena praça, vento na cara. Farei dos domingos dia de ficar em casa, preguiça declarada, e bem acompanhada, claro. Um livro, talvez para acompanhar - e uma soneca se ela me chamar. E das sextas, por hora atarefadas, dia de bem viver. Nunca mais terei pressa aos sábados, farei deles feriado. Não para sair e me esbaldar,
porque me esbaldo dentro, sempre. E isso aprendi.
Se me mandarem dormir, acordo. Se me mandarem acordar, durmo. Dou-me, ou melhor , retomo a vontade de me ver feliz o dia que for, faça chuva ou faça sol. De fazer bolinho de chuva em dia luzente. E tomar sorvete debaixo do edredom. Arrumar-me para deitar e desarrumar-me para sair.Ficar sem roupa, se bem me fizer. Banho gelado se for o caso. E banho pelando se me der na telha. Caminhar sem rumo e sem hora para voltar, que é disso que gosto. Tomar coca-cola no café da manhã. Comer carne na sexta santa ou peixe,  mas só se for de minha livre a espontânea vontade. Assim como só de livre e espontânea vontade levantarei da cama para fazer um belo almoço...mas só se for com amor. E para o amor. Farei compra só se faltar algo que me agrade, e pedirei comida se o filme que estiver passando for imperdível. E voltar para cama se estiver chovendo. E lá ficar toda  a tarde. Se assim me der vontade.
Só uma coisa estará garantida: um belo sorriso nos lábios. E umas boas gargalhadas. Regalo da vida, de lamber os dedos. Coisas que minha  menina interior ama fazer...
Cabe aqui a frase de Clarice, uma mulher que parecia sonhar alto como eu:

"Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome".
Clarice Lispector



2 comentários:

  1. Bravo!!! Bravíssimo!!! Beijos!!!!!

    Paco, o "revoltado", feliz...e sigo, de cantinho, rsrsr

    ResponderExcluir
  2. Texto forte, contundente, mas gostei. A gente se deixa levar, mesmo, pela vida. Pelo que querem de nós, o que esperam de nós, e não o que queremos. Vou fazer uma cópia ecolar na frente do espelho hehehe. Assim não esqueço.
    beijos na alma
    Su

    ResponderExcluir