quarta-feira, 20 de abril de 2011

Lúcida



"A vida pode ser mais leve.
Mais lúdica.
Se eu não brincasse, enlouqueceria.
Não posso nem sei ser essa imagem que tanta gente
congelou a respeito do que é ser adulto.

...Passo longe desse freezer.
Quero o calor da vida.
Quero o sonho e a realidade melhor que ele puder gerar.
Quero alguma inocência que não seja maculada.
Quero descobrir coisas que não suspeito existirem e,
que para minha surpresa,
têm significado para o meu coração.

Adulta, quero caminhar de mãos dadas,
vida afora, com a criança que me habita:
curiosa, arteira, espontânea."

Esse texto que me veio, descobri, é da jornalista Ana Jacomo. Sentimento dúbio, inverso, ininteligível. Amei, meu presente do dia. E odeiei. Senti inveja, daquela negra e feia, mesmo.
Confesso. Queria ter escrito. Queria esse texto para mim, assim, egoístamente falando. Queria as glórias de tê-lo pensado. Não dei a autora, nem a  ninguém, o direito de me descrever, de colocar em lugar algum o que sinto em mim, o que sou, o que penso. Sou assim. Já estou careca  - mais do que já sou - de dizer aqui, que preciso de minha menina interior aqui , ao meu lado. Dentro de mim. Sem ela, curiosa e arteira, enlouqueceria, bem sei, bem ela diz. Sem ela me fazendo  rir até de mim mesma, sucumbiria. Se levasse tudo a 'ferro e fogo', como dizem por ai, estava morta. Seca e enterrada, palmos do chão. Ou viva, mas só por fora, como já me vi tantas vezes. Sem esse brilho no olhar que me sustenta. Sem essa malícia na boca que me seduz. Sem a astúcia de me saber viva. De me dar bem com a vida. Sem estar aberta ao amor.
Adulta e triste é como alguns me querem, aqueles que me invejam a liberdade de me ser. Que não em aceitam como sou. Criança sapeca e arteira é como me vêem os que me amam. Os que me cuidam, que me fazer sorrir. Os que me gostam como sou, pacote completo. Os que gostam da minha gargalhada solta, do meu sorriso fácil, do meu olho que verte emoção por tudo e por nada. Porque, para me amar, basta pouco. Basta me olhar de modo sincero e ver em mim  o que sou. O que tenho a  dar - e é muito, vão descobrir. Um dar sincero, sem nem cobrar centavo em troca. Basta me querer. Basta olhar com os olhos de quem me quer ver. Inteira, completa, complexa, sapeca, arteira, sem 'eira nem beira', sei lá. E desvendar neste olhar meu melhor a dar. E merecer. Meu jeito de me doar.

A vida pode ser mais leve.
Mais lúdica.
...Se eu não brincasse, enlouqueceria.





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