quarta-feira, 6 de abril de 2011

Meus


Quaresma. Estranha esse período, longo, começando logo depois do carnaval. Falam em renascimento, renovação de votos. Tem gente que faz jejum de carne, outras de outras coisas que acham conveniente - geralmente de comer ou de beber, coisa que nos pegam. Umas começam dietas, outras tentam deixar de lado seus vícios. Acho válido. Toda tentativa de barrar algo que se acha ruim dentro de nós faz bem. Fortalece corpo e vontades. Deixar de ter algo que se deseja, por livre escolha, é uma programação emocional das maiores. Além de fazer um bem danado à saúde - mental e corporal. Vícios são sempre um teste, um alerta. Não saem facilmente da gente, no máximo ficam adormecidos, esperando que, enfim, nos esqueçamos deles, para que voltem a atacar. E não falo dos grandes, não, nos difícies de largar, como beber, fumar ou roer unhas, sei lá. Mas dos pequeninhos, vizinhos das ternuras, como 'um docinho depois do almoço". Ou do beijo em filho. Esses, tenho, alguns,  e não domino. E nem sei se quero.
Eu não fiz promessa nenhuma. Até porque vivo me fazendo e tentando cumprir, todo dia. Promessas de um minuto, de uma hora, de um dia, quem sabe de uma vida, meio a la Fermino Ariza, do livro do Gabriel 'Gabo' Marquez. Mas não para provar nada, já que a  maior beneficiada sou eu mesma. Tenho feito de minha vida um desafio constante. Todo dia um entrave, ou mais. Ponho na listinha infâme o que tenho que fazer e vejo, ali , minha verdade. Do que fujo todo dia? De coisas aparentemente simples, mas que me custam algo - impagáveis, claro, senão seria fácil demais. Fujo de coisas novas. Do desconhecido a enfrentar. Tenho um certo horror a novidades, creiam. Não as das vitrines, protegidas por vidros blindados, mas das que tenho que tocar, ver, falar. Ou das chatas, mas que têm que ser feitas. E que alívio me dão quando as risco do mapa do dia. Perder medo é ter coragem. De bicho - papão a  tarefas infindáveis.
E dá uma satisfação inenarrável.
Engraçado - 'ou não', caetaneando - me dei conta de que tenho falado muito em medo. Logo eu que sempre disse que só tinha um, tão grande, doído e nada fácil, que nem vou pronunciar. Será que é porque ando sentindo muitos ou exatamente o contrário? Bom rever. É nesses devaneios aparentemente leves da mente que as coisas se esclarecem. Ou escurecem de vez. Medo é um mal necessário, sem ele estaríamos mortos. Ou sozinhos. E tristes. Melhor enfrentar e ver no que dá. Tudo será permitido. Ou , lembrando Thiago de Mello, só uma coisa fica proibida: amar sem amor. Eu completaria com muitas, meu "Estatuto da Mulher", que ainda vou montar: um dia sequer sem sorriso. E sem um amor para me acalentar.  

Um comentário:

  1. "Tudo será permitido. Ou , lembrando Thiago de Mello, só uma coisa fica proibida: amar sem amor.Eu completaria com muitas, meu "Estatuto da Mulher", que ainda vou montar: um dia sequer sem sorriso. E sem um amor para me acalentar'.
    Muito lindo teu texto de hoje. E extremamente sincero, como todos. Não sei se pe TPM mas fiquei emocionada...
    Bjs da Mia e grata pela tua amizade incondicional e desprendimento. Não imaginas o quanto me faz bem...
    Ah, Paco...sortudo de uma figa!

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