quarta-feira, 27 de abril de 2011

Smart?



Maio está ai e , passados o Carnaval e Páscoa, - e em não tendo mais nada para inventar -  o ês ganhou a faixa duplamente feminina:  mês das noivas e 'mês' das mães. Nada contra, afinal o comércio precisa de âncoras de vendas, de fazer as pessoas lembrarem que as noivas ainda existem - e na verdade estão em alta! - e que as mães precisam ser lembradas - o que é uma vergonha.
No caso das noivas, a tradição é importada - como importamos quase tudo, de tendências à coisas, de  palavras a ideias. Até nesse quesito 'mês das noivas' somos dependentes, digamos, do hemisfério Norte, para não entrar em maiores detalhes. Lá, e não aqui, é a temporada de flores, de temperaturas mais amenas, o que faz um período mais propício a enlaces. 
Também as mães são importadas, digo, o dia delas, digo, meu.  Vem das festividades primaveris da antiga Grécia,  'dedicadas a Cybele, a Mãe dos Deuses romanos, e as cerimônias em sua homenagem começaram por volta de 250 anos antes do nascimento de Cristo', achei numa certa busca do mundo nada real. Pelo sim, pelo não, melhor copiar, dados e datas. como um ponto de partida curioso.
Mas não foram tais fatos que me trouxeram até aqui nesta quarta-feira qualquer. E sim, um protesto. Aliás, muitos. Do desrespeito que a mulheres ainda se sujeitam, e  me incluo nessa. Não não falo de grandes problemas como violências de toda ordem, não, posto que esse fato merecia não uma crônica '' engraçadinha ' e sim um texto de  'responsa' como falam os jovens.
O fato é simples: pleno século XXI, ano 2011, e as propagandas e campanhas publicitárias - algumas, claro, desantenadas -  continuam propagando a ideia jurássica de nos dar eletrodomésticos! Se as imagens não fossem atuais e bem trabalhadas, eu até poderia pensar que nada mudou desde uns bons anos para cá - quando era normal- e até chique- ganhar fogões, ferros de passar e batedeiras. As mulheres sairam para trabalhar e os maridos e filhos nem se deram conta...O mundo, como um todo, nem viu.
Isso me faz lembrar uma crônica que li muito tempo atrás, nem lembro mais de quem, nem onde. Mas lembro muito bem do teor e da ideia central, que ainda me faz parar para pensar  -  e rir, se der : 'maldita revolução sexual!' , dizia a autora - mulher, claro.Tentava provar, e com bons argumentos, que a mulher quando quis se  ' equiparar' ao homem, não pensou antes de agir. Que estava comodamente na posição de mãe, de ' dona da casa', de ' do lar' , sossegada em seu canto. Fazia as coisas da casa, cuidava dos filhos, e tinha tempo para ela. Não se via mulher correndo de um lado para outro, o dia todo, tentando suprir as necessidades da casa, dos filhos, do marido e dela, como mulher e profissional. Nem dividindo a conta. Mulher não fazia compras no mercado, não dirigia o dia todo por ai. Não ficava dividida, nem culpada - a não ser se o bolo tivesse 'solado', ou a comida salgada. Ou a camisa do marido não bem passada. Não ficava tentando ser super mulher em casa e no trabalho. Não se 'fatiava' tanto. Tinha tempo para ler, escrever, se cuidar, conversar - nem que fosse com a  vizinha por cima do muro. Tentar receitas. Ver televisão, ser dona do canal. A criançada se virava brincando na rua e nem tinha o leva e traz de aula disso e aula daquilo.  Era a escola  e tchau!
Certa ou não, acho graça. A mulher, na grande maioria dos casos, só acrescenta tarefas. Por mais que tenha quem ajude, por mais que  tente delegar. Ela continua sendo o centro. Central de informações e de serviçoes, como digo. Disk tudo, tele entrega ( junto ou separada?). Parece dessas impressoras que escaneia, digitalizam, copiam, imprimem e coisa e tal. Multifuncional, diz na embalagem. Ou destes celulares de última geração, feito uma 'smart fêmea". Não nos usam mais porque não sabem todas as funções, tal modelo adiantado que somos. A 'nova' mulher se subdivide de tal forma que sobra pouco para ela. Em plena nova era, dar fogão é um ultraje. Chinelinho de ficar em casa, então, é de matar. Fora as piadinhas e ditados que temos que aguentar: TPM , para mim 'Tensão Pré Machismo'  - e muito mais.
E a polêmica segue: o que você, mãe, gostaria de ganhar? Eu? Respeito. Já estava bom demais...
Melhor dar a nós, mulheres, uma boa fábula moderna para relaxar...


'Era uma vez... numa terra muito distante...uma princesa linda, independente e cheia de auto-estima.
Ela se deparou com uma rã enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo era relaxante e ecológico...
Então, a rã pulou para o seu colo e disse: linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito.
Uma bruxa má lançou-me um encanto e transformei-me nesta rã asquerosa.
Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir lar feliz no teu lindo castelo.
A tua mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavar as minhas roupas, criar os nossos filhos e seríamos felizes para sempre...
Naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria, pensando consigo mesma:
- Eu, hein?... nem morta!'
The end...

Luís Fernando Veríssimo, claro...

3 comentários:

  1. uhuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu! animei até pra sair!!!catar um sapo!!!
    beijos da MIA

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  2. Fala sério Joyce.. que texto bacana!!! Muito bom... colírio! Escreve maaaais!! rs Bjoo querida! Vc é muito bonita mesmo viu!
    Aryadne Bagordakis

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  3. DELICIA DE TEXTO.
    É MUITO BOM UMA LEITURA ASSIM ECLÉTICA,REAL E TÃO
    ÍNTIMA A QUEM VIVÊNCIA AS MESMAS EXPERIÊNCIAS.
    PARABÉNS MENINA JOYCE.

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