sexta-feira, 1 de abril de 2011

Xiii!




Laringite. Foi isso que o médico me disse depois de uma desconfortável horinha à espera do atendimento dele. E olha que pago bem, muito bem. Atendeu-me em parcos minutos e encheu uma folha de nomes complicados de remédios. faringite. E para ficar de olho : se despontasse uma febre, poderia ser outra coisa. Uma estafa. Estafa. Sim, ele usou essa palavra. 'Demodè', eu diria. Hoje se diz stress, doutor.
Saio do consultório, me irrito com a burocracia , atravesso a  rua e entrego a listinha básica à farmacêutica. Pelo menos era impressão de computador, não se precisa mais adivinhar palavras. Fiquei pensando se ele teria listas prontas, uma para cada caso. Colocava sexo, idade, dor aonde e a lista saia. A moça me pergunta se pode ser genérico. Sempre genérico, dá vontade de dizer, desde que só em termos de remédios. Na vida e no amor, só os originais de fábrica. Pego a cestinha cheia e me mando para casa, fugindo do céu outra vez preto.
Laringite. Não é a primeira vez. Já foram tantas. Uma vez,  long time ago, foi-se toda  a minha voz. Uma semana de verdadeiro castigo em casa, num tempo que conversar era mesmo conversar, soltar a voz, falar e ouvir. Olho no olho. Ou no máximo via telefone - e daqueles, dos fixos que, como o nome diz, faziam a gente parar quieta no lugar. Depois eles 'se soltaram' e a gente falava andando pela casa  - ou até o sinal deixar. Mais tarde vieram os móveis e ai acabou o sossego: acham-me a qualquer hora e em qualquer lugar. Ainda bem que tem o botão de desligar ( nele, não em mim, infelizmente...). Hoje 'conversamos', 'tagarelamos', na verdade, via Internet. Falamos pelos cotovelos - ops -  pelos dedos. Postamos nossa 'voz' lá, sem grandes esforços a não ser dos artelhos. E da mente. A minha sempre pronta a fazer rir. Ou pelo menos pensar. Menos mal.
Laringite. Pego minha 'biblia' da saúde e está lá: deixar de falar o que se quer. Silenciar. Essa Cristina Cairo é o 'demo', sabe das coisas. Há quanto tempo ando segurando a voz, medindo demais as palavras - tanto que nem as digo mais. Acho que foram parar todas, ao mesmo tempo, lá, na minha laringe, inflamada de problemas. Obstruíram minha voz. Engarrafamento do que penso. Sabe lá quando vou conseguir organizar isso, fazer  a 'coisa' andar. Até lá, muita água - em mim e por debaixo da ponte - , repouso que der e paciência, muita paciência para eu mesma me aguentar...
Tem um lado bom: estou com a voz sexy. Um lado ruim: ninguém que me interesse vai ouvir...
Melhor sossegar!

"Por vezes a palavra representa um modo mais acertado de se calar do que o silêncio".
Simone de Beauvoir

2 comentários:

  1. Gosto desse seu jeito leve de levar as coisas, nota-se isso no face, como você levanta as pessoas, mesmo que não esteja muito bem. Vi nitidamente isso hoje. Primeiro brincava sobre a Pascoa, sobre dietas, fazendo a gente rir dessa bobajada toda que é a vida. Ai venho ler seu blog e vejo que está 'mal'. Quanto desprendimento...outra estaria lá, a se queixar de tudo...
    Grande pessoa! Grande mulher! Bem dita seja!Grata pela sua amizade!
    Eu

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  2. É isso aí, Joy! Vamos que vamos, vai sarar logo, logo... E pronta para mais diversão!

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