domingo, 3 de abril de 2011

Y sigo...


Momento memorável.
Um dos tantos presentes do dia, talvez um fechamento dele. Ontem assistir O Amor nos Tempos do Cólera, baseado no livro de meu querido Gabo. Ou reassisti, dado que já vi, mas desta vez meus olhos eram outros, mais atentos, mais entendedores do tema. Mais, digamos, imersos.
Gabo? Tenho todos, ou quase, alguns repetidos em outras línguas, talvez. E até os infantis. E as crônicas. Gabriel Garcia Marquez, o escritor, cronista, poeta das loucuras. Sim, quem mais nos leva à elas sem cerimônia nenhuma, apenas pegando delicadamente pela mão - ou pela imaginação? E quem descreveria melhor a loucura que é o amor? O correspondido, o esperançoso, o sonhado amor? O sofrido amor? Quem, além dele, nos levaria a uma viagem sem volta a esse mundo insano? Ninguém. Só ele. Dos amores castos aos amores doidos, putanos. Os amores que matam ou que salvam, só ele. Dos longos amores de anos, solitários centenários , aos amores de segundos, duração de um espasmo. Os amores vividos na carne e os amores vividos tão somente na mente, os chamados platônicos.
Ah, e tantas outras coisas.  Quem me faz sentir úmida e fria descrevendo tantos dias de chuva? Ou sentir o perfume da mulher amada? O odor de macho do homem ao lado. O calor dos trópicos, o suor empapado nas roupas, o cheiro doce das donzelas, o cheiro de mofo das coisas. O gosto ocre do ferro. O peso de algumas passadas. O fedor das galinhas soltas no pátio. Da sopa na panela desde ontem. A dor do calo e dos pés em bolha do viajante que desce do cavalo. Só ele. Só ele me faz rir numa página, me extasiar na outra e me acabar de chorar no final. E me deu tantas tintas, nesss vida,  para que eu enfeitasse meus textos e colorisse minhas páginas. Ou seria minh'alma?
No amor nascido de um simples olhar, fortalecido por palavras, imaginadas, sonhadas, ditas e escritas, muitas, páginas e páginas. Anos de espera, uma espera incansável e inabalável. A pureza do se achar que um dia o amor se rende como nos rendemos. Que o amor é reciproco e na mesma medida do que sentimos. A virgindade de alma no corpo fadado a casos numerados - mas passageiros, feito espera. "Sou virgem, me guardei para ti", disse , enfim o amor na noite memorável. Virgem de alma. E o corpo já cansado, mas amado.
E vem a pergunta que  não quer esperar: quantos anos você esperaria por um amor? 
Fácil de responder para quem já amou - ou ama. Muito. Sempre. E sem medo. Porque o amor não se mede pelo tempo. Não usa relógio. Não se mede em segundos. Minutos, horas, tardes ensolaradas, noites de luar. Nem dias, nem estações, nem anos. Nem envelopes de vem e vai. Amor se mede com batimentos do coração. Sempre tão rápidos, contrários ao tempo que parece parar só para observar o amor se dar,
bela cena. 
Gabo, Gabriel, nome de anjo. Mas ele está mais para feiticeiro das palavras...
E a música, na voz de Shakira,  recitada, bem marcada, quase um poema, parar de coração, entrou, entra. Fica. Marca o compasso da emoção.
Como não se emocionar? Chorei. choro. Amo o meu amor. Amo amar.

Cada día pienso en tí
Pienso un poco más en tí
Despedazo mi corazón
Se destruye algo de mí
Cada día pienso en tí
Pienso un poco más en tí
Cada vez que sale el sol
Busco un algo de valor
Para continuar así

Y te veo así no te toque
Rezo por tí cada noche
Amanece y pienso en tí

Y retumba en mis oídos
El tic-tac de los relojes

Y sigo pensando en tí
Y sigo pensando








4 comentários:

  1. Ah, minha bela!!! Se encontras ressonância em Gabo, ressoas em mim e mais do que isso, bem sabes....

    Paco, hoje antes da Mia, rsrsr

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  2. Danado! me passou a perna! Mas Paco, voismece deve ser mesmo especial...essa mulher é o .... fiquei curiosa pelo autor (que 'verguença', no conosco pessoalmente , se é que me entendem, burrinha de pequeno principe pra baixo......), pelo livro, pelo filme...só conheço a Shakira, que amo!
    Mas a forma como ela descreve os textos, ah, parece imperdivel...
    quem dera escrever assim, pensar assim, ser assim quando crescer...clonezinha da Joycinha uauauaua.
    Ei, muda a foto ai, quero ver se é tão bonita quanto aparenta!!!!
    bjs da Mia, pós Paco (antenadinho, hein?)

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  3. Também amo o Gabriel e tua descrição do que se sente ao ler um texto dele me fez viajar de novo entre as tantas páginas que já li! Tens o dom!Parabéns!O poeta deve estar feliz lá no céu!

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  4. Belo texto, de bela dama, invejo o ser amado...
    "Amor se mede com batimentos do coração. Sempre tão rápidos, contrários ao tempo que parece parar só para observar o amor se dar,
    bela cena".
    Dan

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