quarta-feira, 25 de maio de 2011

Abra!


Muito se fala em relacionamento, talvez pelo selo dado ao presente, o da solidão, o da dificuldade de se achar o outro. Que não existe pessoal ideal, que está difícil achar a metade da laranja, que não existe mais homem - ou mulher - que valha à pena na face da Terra , e por ai se vai. De outro lado, temos casamentos que dão certo, e nos põem otimistas - e  esse deve ser o papel deles na vida -  e muitos outros que não dão. Uns que duram anos, e anos , e anos e de repente se vão - e nem se sabe porque. E mais ainda os que aparentam dar certo, mas a saúde interna anda hemorrágica e nem se sabe - ou se sabe e  não se quer tratar de resolver - porque dói, porque sangra, porque dá trabalho. A morte ali, eminente, e nem se vai ao médico consultar. E nem se aceita como tal.
Talvez eu não seja a melhor pessoa do mundo para dar conselhos sobre isso, visto o que vivo, mas que tenho uma boa percepção, ah, isso tenho. Pelo menos sei o que quero e o que não quero, o que já é um bom começo. E sei onde está o que quero, o que já é uma grande coisa, mesmo que tenha que, para isso, atravessar pântanos indesejáveis, usar de minha paciência e deixar a vida me levar, sim, mas sempre no rumo certo. Sei bem onde quero aportar.
Acho que a gente espera muito de um relacionamento mesmo antes dele começar. Muitas vezes mesmo antes dele estar a caminho. Idealiza-se muito, como se fossemos adolescentes sonhadoras - as de ontem porque as de hoje primeiro curtem,  se jogam, só depois pensam. Como se fôssemos, todas, princesas à espera do príncipe encantado. Gatas borralheiras à espera de alguém que nos transforme em Cinderelas. Ficamos à espera que ele venha em seu cavalo branco, ou suba a torre do castelo para nos salvar. Ai está a palavra chave: esperamos. Mas a vida real, fora das páginas coloridas dos livros de contos de fadas e dos filmes que nos fazem vibrar por dentro - e sonhar em ser  protagonista de um romance legal -  é muito diferente. Temos como companheiros na jornada não só os dois, o par, o que por si só já daria trabalho. Mas muitos. Temos a correria do dia-a-dia, temos o pão nosso de cada dia cada dia mais pão duro e menos nosso, temos a concorrência desleal de novas rainhas à espera que de que mordamos a maçã envenenada da intriga. Ou bruxos aquecendo um caldeirão para nos cozinhar. Temos os amigos a agradar, as famílias a nos aceitar - e por vezes nossos próprios filhos, nestes ditos tempos modernos ( mas tão iguais ao de nosso pais). Quem sabe ex-maridos? Gente do contra não falta. Gente arguindo, mais ainda. E ai ficamos, entre a cruz e a caldeirinha, entre arriscar ou repensar, tentar ou desistir. E como se não bastassem eles, temos nós mesmos, nosso pior inimigo. Ficamos no " e se" e  "mas" e não damos uma chance, nenhum passo a mais. Sem nem saber o que há dentro do pacote, se feio ou bonito.
Sim, porque relacionamento é um pacote. Cheio de coisas dentro, nossa e do outro. Uma caixa abarrotada de prós e contras, de sim e não, de coisas boas e coisas nem tão boas assim. De atributos e defeitos. De hábitos e manias. Minha dica? Pegue a caixa se ela parecer interessante. Aceite-a como um presente, desses, que não se sabe o que vem dentro. Deixe o passado e o futuro para ver depois. Sem medo, mas com cautela. E vá tirando as coisas de dentro, sem preconceitos - que o nome já diz tudo. Sem ideias preconcebidas. Sem comparações com o que já se viveu - porque é novo, isso você tem que saber.  Sem achar que já sabe de tudo - porque nunca se sabe. Nem os videntes mais sábios não vêem o que vai acontecer com precisão. Então, não dê uma de cartomante. Nem tente lê as cartas do tarot. Muito menos ver se os signos combinam. Dê uma de ser humano, pessoa comum, que acerta e erra - e dê essa chance do outro ser.  E se dê a chance de, pelo menos, tentar ser feliz . Por um momento, por um beijo, por um dia, pela vida toda  que tem pela frente! Viva!
E depois que vocês estiverem por ai, rindo à toa, sem nem saber porquê, lembre do que eu disse...
Não acredita em mim? Então seja Clarice!

"Renda-se, como eu me rendi.
Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei.
Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.
Clarice Lispector

5 comentários:

  1. Serviu a toquinha... melhor eu agir senão só acho meu par no asilo kkkkkkkkkkkkkkkkk
    Su

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  2. Gostei, muito bom....

    Paco, nem aí para as cartas do Tarot e para os signos....( mas, vá lá, sou Escorpião)rsrsrs...

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  3. Joycinha, tava esperando a postagem de hoje e valeu a pena! maravilhosaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa! eu ainda sou das burras ficantes, mas qdo se fica se sonha com o principe tambem. Lindo texto, valeu a dica! beijos da Mia
    tiamo

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  4. Meodeos, serviu feito vestido de lycra hehehehehehe desses de nem se respirar.
    To fazendo tudo errado....

    Gli

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  5. Nem preciso dizer, voce sabe que vivo algo parecido, meio barro meio tijolo...
    E a palavra exata e certa,culpada pelos fortes elos que nos fazem, viver dia um relacionamento doente e sem chances de sobreviver com dignidade, em um relacionamento desgastado, è a tal : "dependencia" e não è financeira que aprisiona, ao contrario do que pensamos é a dependencia emocional,mas com certeza a coragem liberta e o tempo prova, que o tesouro pelo esforço de vencer seus próprios e enormes obstáculos, construidos pelos nossos temores e inseguranças...no final do arco iris é valoroso,mas cada um tem seu tempo...a felicidade que me aguarde...pois eu a vejo sempre me sinalizando..que me espera de braços abertos *)

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