segunda-feira, 2 de maio de 2011

Doce



Estava indo dormir, sem passar por aqui. Assim, sorrateiramente, como quem foge de si mesma, nossa maior loucura. Fugir de si mesmo é o mesmo que tentar se livrar de nossa sombra que, mesmo com sol a píno, sabemos que está lá.
Já fechava o lap, satisfeita pelo feito de ter adiantado assuntos que me pareciam de difícil acesso para hoje. E já tinha dado boa noite ao dia, já tinha chamado até o sono para subir comigo e me enlaçar - e ele feliz. Eis que  um atalho de blog em minha tela colorida me chama a entrar. Como quem atrai uma criança com um doce - sabendo que meu doce são as palavras - ditas , escritas e lidas ( o amor já sabe, foi assim que me fisgou, bela armadilha bem tramada...).
E lá estava a guloseima do dia:

"São os olhos, exatamente os olhos, que eu mais ouço. A vida tem me ensinado, ao longo da jornada, que as palavras muitas vezes mentem. Os olhos, geralmente, não desmentem o que diz o coração".

De uma 'tal' de Ana Jácomo com quem ando flertando, quem sabe entrando em um amor platônico - até o gozo de me entregar por inteira quando, enfim, tiver um de seus livros na mão, a acariciar e por fogo na relação...
Ah, os olhos, espelho da alma, já disseram. Os meus vão do mais profundo mar até as águas mais claras - estas que se vê e dá inveja de não estar lá. Os meus, mutantes, mudam de cor conforme minha'lma está. Cinza, se triste, azul  intenso se choro. E só o amor sabe a luz que me dá quando estou em êxtase de amar. Como se pegassem a estrada do sol só de ida, para nunca mais voltar.
Mas a Ana, destemida, quer de mim mais, muito mais. Tudo do que sou capaz.  E lá está:

"O amor, devagarinho, esgarça o tecido que veste as nossas defesas e deixa a nossa alma toda de fora. Depois, sorri, encantado, diante da beleza singular da nossa nudez".

Essa pegou fundo, me fez parar. Fico aqui pensando se quem não ama, ou nunca amou, quem nunca se viu assim, carne viva, se entende, se cabe falar.  Umas poucas palavras e se monta  a cena, tão claramente verdadeira, do que é amar. Quem ama, sente-se nu. A alma vira pele. A pele vira tato. Deixa-nos nus de verdade, mesmo estando vestidos até os dentes, mesmo estando armados com tudo o que pensamos saber sobre o amor, sobre o amar. Guerra insana. Luta descabida. Cena dolorosa. Doença sem cura. E mesmo assim, amamos amar. Que o digam os poetas. Por vezes o amor vai e bate a porta, e a sensação de nudez acompanha a gente por muito tempo ainda, um frio descabido, destemido, nada singelo, nada maternal. Gelamos ao primero sinal de desistência. Sangramos ao primeiro sinal da guerra nada fria das palavras, fortes lanças a nos cortar.  Mas, bastam os olhos demonstrarem a verdade - nua, crua e latejante - e tudo se desmonta. Ou melhor dizendo, tudo se refaz. A pele volta a ser pele, arrepiada só de pensar. O tato volta  a ser tato, na ânsia de reencontrar. E a gente se entrega outra vez, sem nem pensar. Nem se olha o chão manchado da batalha. Nem se olha para trás. Sem se dá bola para o que dizem os astros. Porque o mundo some. E  a gente volta  a viajar...a dois.



2 comentários:

  1. Ah!!!! viajei com sempre Joyce!!
    O tal amar...é tão energético e ao mesmo tempo tão desgastante,somos mulheres pensantes e inteligentes e esse é o preço: saber ler os olhos e as vezes, somente as vezes a gente vê o que não queria, ou menos do que queria,ai é que se paga o preço da sensibilidade...aquela sensação de quem comeu e não gostou...bebeu e entrou no canal errado....aquele querer questionado que martela: eu quero demais? ou ganho de menos? é minha querida amiga, viver por viver não vale a pena, é na carne viva mesmo...que a gente evolui, e quem disse que é gostoso o tempo todo?

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  2. eheeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee, Joycinha!
    Que coisa mais linda! Sonho um dia amar assim!achar meu Paco na vida!
    Voce vende esperança, sabia?
    Beijos da Mia, hoje mais conformada...

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