terça-feira, 17 de maio de 2011

Porque?



"Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
...E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?"
Paulo Leminski

Esses versos de Leminski deram o que falar.  Não só pelo jeito sempre despojado do poeta - para não dar outros qualitativos que me faltam agora  - e me resguardando de alguma 'crítica' - no sentido de análise e não de contra -  que seja mal interpretada, porque amo . Que faz das palavras objetos vivos, como já havia alertado certa vez , quem sabe pressentido, Victor Hugo. Que dá vida às mais simples, fazendo-as cantarolar e dançar em minha mente, feito cantiga de roda. - essas, de rima fácil e bem entendida, nada afetada, nada escondida. E como me dá uma energia diferente ler algo assim, tão grandemente inusitado e imensamente divertido. E ao mesmo tempo incógnita ( talvez pela facilidade da fala)  e clara, como são claras e sem retoques as coisas  que vêm da alma, feito as frases de crianças. As coisas saem livres de suas bocas com uma certeza que desconserta. E a dita "gente grande" fica ali , com cara de tacho e boca aberta pensando " de onde essa criatura tirou isso".
Pois bem, paulo escreve assim de forma desconsertante. Quem me dera. Mas deixo de lado essa mania que me persegue desde o dia de parida de me deixar por baixo e me envergonhar diante da grandeza das coisas não minhas. E brinco, atrevida , mesmo frente a um mestre das letras corridas:

Escrevo. E pronto.
Escrevo porque me cura. Alívio.
Como quem tira o sapato apertado do dia.
Ninguém tem nada a ver com isso Ou tem , quem me lê e fantasia
Escrevo porque anoitece, e dos pensamentos me livro
e porque sonho com um sono de mel
não com pesadelos atrevidos.
Eu ai eu pergunto
Tudo tem que ter um porquê?
Eu creio apenas, 
e sonho muito.
Eu vivo apenas.
e me deixo levar.
Eu amo, não apenas, mas porque vale  a pena  amar. 
Eu sou assim,
mesmo que  ninguém creia em mim...
Joyce Diehl

Paulo Leminski ( 1944-1989), paranaense de Curitiba,
foi poeta, escritos, tradutor e professor.
E faixa preta de judô.  E tem que ter porquê?

2 comentários:

  1. Joycinha!!!! Que delicia de texto - e to envergonhada, não conhecia o tal...e amei!
    mas cá entre nós, você é você, uma mulher e tanto. Que me faz rir e me faz pensar e me faz chorar.
    Tava com saudade de mim? eu tava morrendo de saudade de vccccccc!
    Mia, antes do paco uuauauauauaua

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  2. Se Alice Ruiz aqui viesse...com certeza, ciúmes sentiria.Sua proximidade não copiada nem transcrita de Paulo salta aos olhos...No gancho da escrita..vc pendurou novos adereços...tão divertidos e imensamente ternos.Adorei:)
    Bjs
    Luciete

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