sexta-feira, 13 de maio de 2011

Se



Meu dia começou cinzento, mas o sou foi abrindo ao poucos, até o sol me cegar. Talvez pelas tarefas, muitas,  enfim findas. Ou pela mania de sempre que tenho de tentar tapar o sol com a peneira - ou melhor dizer, a tristeza com alegria. Acho, incorrigivelmente, que um sorriso é uma boa arma - ou, pelo menos, um bom escudo: freia até gripe, dizem. E aprendo no meu dia-a-dia, mesmo que não entenda e nem queira, que o que não falta é gente para nos colocar para baixo. Mas que tem o dobro de gente nos colocando para cima! Ou tentando, e conseguindo, desde que a gente mesma não se faça de peso morto e, no meu caso, que peso! e que morto! Viu? Rindo de mim mesma, já. Ou de novo. Ou ainda. (não, longe de mim não me levar a sério. O que eu não ando levando muito a sério é a vida...).
Alegrou-me saber de uma amiga que ela aprendeu comigo a rir dela mesma, de tentar - pelo menos tentar - não levar tudo a ferro e fogo, e sim a folha e  vento, se deixar levar pela vida, se me permitem um fraco trocadilho. Que forçar a barra não leva a nada, a não ser se machucar. Que dar murro em ponta de faca só corta a gente. Que hoje se sofre calada para amanhã se rir a toa. E por ai se vai...desfiladeiro de boas companhias.
Está certo, concordo, nem sempre é facil. Ninguém gosta de ser saco de pancada - nem de riso ( lembram disso?). Eu mesma acho uma tarefa espinhosa essa  a de não surtar . Às vezes - mas só às vezes -  se faz necessário surtar, como se soltássemos o berro cravado na garganta antes que nos sufoque. O outro se assusta e se cala por vez - ou pelo menos por um segundo, dando tempo de se respirar. Quem sabe até respeita. Mas por pouco tempo, muito pouco tempo, isso eu garanto. Melhor mesmo é conversar - ou pelo menos tentar. Ou calar-se, como escrevi ontem, quando a muralha parece intransponível. Quando o outro vira parede, surda e cega, beco sem saída. Eu me sinto mais forte quando consigo falar. Quando me deixam falar. Quando me ouvem. Quando faço parte de um diálogo que, como o nome já diz, precisa de dois. E de dois em um mesmo tom de voz. E mesma hierarquia , diria. De igual para igual, vale dizer - o que já é difícil, dado que a gente sempre se acha melhor que o outro ( preciso rever meus conceitos...). E enquanto ainda não me afogo na voz amargurada - eu e muita gente que prefere discutir por palavras escritas, não mal faladas. Quando não me atrapalho tentando puxar o fio da meada - e me vem o rolo todo, sufocantemente emaranhado. Uma armadilha.Um emaranhado que me amarra o raciocínio, deixa pesado o meu pensar - isso quando não tropeço em mim mesma.
Mas sei bem o que quero da vida - e isso não é. Disso tenho plena certeza. Gosto de pensar que alguém me escuta. Que alguém, mesmo sem me dar razão na hora, se deixa levar pelo meu falar. Como se meu falar entrasse nele, assim, bem devagar, semeando flores. Que esse alguém talvez não me escute na hora que eu quero, mas entenda na hora que precisa. E isso me basta. Sorrio, confiante, cheia de mim. Cheia do que eu tenho de melhor para dar. Porque  meu melhor é como meu sorriso: quanto mais dou , mais tenho para dar.


"Se for pra esquentar, que seja ao sol.
Se for pra enganar, que seja o estômago.
Se for pra chorar, que se chore de alegria.
Se for para mentir, que seja a idade.
Se for pra roubar, que se roube um beijo.
Se for pra perder, que se perca o medo.
Se for pra cair, que seja na gandaia.
Se existe guerra, que seja de travesseiros.
Se existe fome, que seja de amor.
Se for pra morrer, que seja de rir.
                        Se for pra ser feliz, que seja o tempo todo! "                 
Texto que já foi de Quintana, e de outros tantos, mas segue sem dono.
Uma coisa é certa: um dono para lá de otimista. Como eu.

3 comentários:

  1. Sensacional!
    Acho que tudo tem que ser na dose certa, o grito e até mesmo o sorriso para não se fazer desperdiçado. Sorriso desperdiçado? Sim, me fazendo lembrar daquela longa discussão sobre o saber "falar não", lembra disso? Não quero me enrolar no que digo, mas nesse nosso dia a dia de convivência mesmo que seja "internética", acompanhando um pouco dos teus passos, sei que sabes o que estou querendo te dizer! Canto agora procê "O que é, o que é? do Gonzaguinha! "
    Somos nós que fazemos a vida
    Como der, ou puder, ou quiser,
    Sempre desejada por mais que esteja errada,
    Ninguém quer a morte, só saúde e sorte..."
    Beijos,
    Ana.

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  2. Descoberto: é um jingle de comercial do Meridional criado em 1994 pelos publicitários gaúchos Eduardo Axelrud e Regis Montagna.

    "Se for pra esquentar, que seja no sol
    Se for pra enganar, que seja o estômago
    Se for pra morrer, que se morra de rir
    Se for pra atirar, que se atire o pau no gato

    Se for pra mentir, que seja a idade
    Se for pra roubar, que se roube um beijo
    Se for pra perder, que se perca o medo
    Se for pra cair que seja na gandaia

    Se existir guerra, que seja das cervejas
    Se existir fome que seja de bola

    Se for pra ser feliz, que seja o tempo todo

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  3. E , sim, Ana, sei bem o que dizes...e desejo não me falta! beijos!

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