quarta-feira, 11 de maio de 2011

Sendo

 

"É melhor você ter uma mulher engraçada do que linda, que sempre te acompanha nas festas,
adora uma cerveja, gosta de futebol, prefere andar de chinelo e vestidinho, ou então calça jeans desbotada e camiseta básica, faz academia quando dá, come carne, é simpática, não liga pra grana,
só quer uma vida tranquila e saudável, é desencanada e adora dar risada.  
Do que ter uma mulher perfeitinha, que não curte nada, se veste feito um manequim de vitrine,
nunca toma porre e só sabe contar até quinze, que é até onde chega a sequência de bíceps e tríceps.  
Legal mesmo é mulher de verdade. E daí se ela tem celulite?   O senso de humor compensa. Pode ter uns quilinhos a mais, mas é uma ótima companheira.   Pode até ser meio mal educada quando você larga a cueca no meio da sala, mas e daí?   Porque celulite, gordurinhas e desorganização têm solução.   Mas ainda não criaram um remédio pra futilidade!"
 
Esse texto se diz ser do Arnaldo Jabor , e eu normalmente não colocaria todo ele, mas achei que merecia. Não que eu concorde na íntegra com o que ele diz, tenho lá minha ressalvas. Linda é toda a mulher que se gosta. Descobre em sí o que tem de melhor e sabe como valorizar isso - seja, sorriso, peito ou olhar. Que sabe encantar com as armas que tem. Engraçada é toda mulher que transforma um drama numa coisa simples - senão em piada. Que ri de si mesma, mesmo na pior das enrascadas. Companheira, que assiste ao futebol  - e torce! - ou pelo menos não fica de cara amarrada. Ou, como dizia outro texto, espera em casa bem cheirosa para comemorar. Machista, eu? Não! Simplista. Se a gente gosta de alguém, por que não agradar - e ser agradada ? Porque torcer contra, deixar a coisa desandada? E se o time perde, bem, cabe a nos adular. Incentivar nas horas ruins, aplaudir nas horas boas - nem que seja a louça do almoço bem lavada  - ou a cueca no cesto de lavar. Perceber como o outro chega em casa. Estar atenta ao que o outro diz - a parte mais difícil para mim. Não, não é obrigação, ninguém é obrigado a nada, o que demonstra da parte do outro interesse pela relação. Ah, e chinelinho, camiseta dele, cabelo molhado, vestidinho é tudo de bom: basta saber usar. Quando mais simples e confortável tanto melhor, sem deixar de lado toda a vaidade, amiga íntima do bom senso. Melhor que isso só cheiro de banho recém tomado, cabelo recém lavado, cheiro da colônia da vez. Compõem bem um cenário de leveza, de destreza, sem máscaras a nos enganar - até porque na hora 'H' isso tudo cai por terra  - ou chão, quem há de duvidar. Melhor ainda é se descabelar. Que adianta, então, tentar enganar? Tudo muito certinho, afetadinho, averiguadinho, escondidinho, como quase todo "inho" , enjoa - a não ser carinho e beijinho que, quanto mais se tem , mais se quer. O previsível enjoa, cansa, desfalace; o não esperado acorda, faz brilhar. Torna tudo mais saboroso, gostoso, apetitoso. Deixa  gente ansiosa por viver. Como quem toca a campainha sem avisar. Ou traz flores. Ou liga para ver como o outro está. Ou para dizer que sente falta.
Ah, tudo compensa quando se sabe viver o amar. Tudo fica mais fácil quando se ri junto, quando se chora junto, quando o simples abraço parece ser a melhor coisa do mundo. Quando até a compra de supermercado se transforma em passeio, que dirá o cinema de mãos dadas - ou a caminhada solta pela calçada. A mão no bolso do outro, a cintura enlaçada. O sorrisinho solto enquanto se toma um café. Quando as gordurinhas  - ou magreza - 'somem' - ou viram piada. As rugas viram paixão, sutilmente reveladas na madrugada. Quando o olho ganha um brilho todo especial  e não enxerga mais nada - a não ser o outro, assim, como é, bicho que for.
É, ele tem razão. É melhor ter coisas a mais que coisas a menos. Ser exagero que falta. Conquistar cada passo da estrada - sempre que der, um do lado do outro. Fazer do outro alguém melhor e mais feliz. Sentir-se cuidada e  cuidar. Se importar. Isso vale mais que uma beleza comprada. Ou a roupa que não pode amassar. Isso tudo, na hora boa, não vale nada!

8 comentários:

  1. Misericórdia! Que texto mais lindo! Sempre que venho aqui tenho a impressão que escreves para mim! Esse é o amor que todas nós sonhamos, mas existe? Deve existir, falas com plena convicção de quem vive isso.
    Mereces!
    Beijos e mais uma vez grata pelo teu carinho em forma de texto!
    Su

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  2. Eheeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee, Joycinha! Golaçoooooooooooo!
    Textaço! Lindaço!Colocou o autor pra escanteio!
    E ainda pro cima divertido, ri muito aqui!Terapia da boa! Mas me fez sonhar em ter...e concordo com a "Su", será que existe?
    Paco, meu filho, se vive isso tudo ai, também deve merecer!
    Ou faça por onde!
    Besusssssssss da Mia!

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  3. Ameeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeei!
    meg

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  4. Adorei, posso postar no meu blog? Claro que referindo à sua autoria?

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  5. Humildemente,aqui do meu cantinho, agradeço, Mia!

    Paco, sempre desalinhado e cuidadoso, rsrsr...

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  6. Bem...como sempre...continuo na viagem da Joyce ,ela embarca,viaja,sai e me passa o bastão,pelo menos sinto assim...aqui no cantinho da Joy sou assim mesmo, coisas da simplicidade,como é bom agradar por amor...ceder por prazer...relevar por um bem maior,ou melhor dizendo o bem querer e o meu bem querer eu sei que quem é ...e deixo claro assim, nas claras simples e gostoso como pão quente com manteiga,queijo com goiabada ..vinho forte com queijo duro!!! Aí que gostoso é se sentir assim aberto a essas meiguices do viver o amor....o companheirismo, a amizade e vamos comemorar: viva e deixe viver.

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  7. Amor sempre dá ibope, hein, Joyce? E disso entendes muito!
    E com um texto desse, divertido e interessante, mas ao mesmo tempo instigante, não tem como não gostar...Jabor que se cuide!
    Sandra

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  8. Amar é um deserto e seus temores, disse Djavan, e vens e desmistificas isso?
    Amei!
    Le

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