domingo, 8 de maio de 2011

Somos




Dia das Mães. Pelo menos, um dia para sermos lembradas, não é? Ontem gostei de ver: filhos e filhas levando flores de um supermercado. Uns chinelinhos de andar em casa, outros perfumes, quem sabe mantas para esquentar. As lojas de roupas cheias de filhos e pais desesperados. Um movimento de entra e sai danado. Eu sempre dou para minha mãe cachecóis, já bela coleção. Acho gostoso feito abraço. Enlace. Carinho quente e macio. Como tantos, cachecóis e carinhos, ela já me deu na vida.
E, nas minhas andanças pela vida e pelos dias, descubro que toda mulher é por si só mãe. Descobrimos cedo esse legado. Somos mães de bonecas, para quem entregamos nossa primeira semente de amor incondicional. lembro de ter ficado com febre certa vez que esqueci minha boneca na casa de parentes. E só melhorei quando minha mãe me comprou outra. Depois somos mães de irmãos e irmãs, mais novos ou nem tanto. Lembro-me bem de fazer lanche para meu irmão, três anos mais velho. Ou de salvá-lo de uma ou outra enrascada, Ou até de brincar com ele na falta de amigo.E de apartar discussões entre os outros, eu, assim, sempre meio conciliadora. Mais tarde, podemos ser  conselheiras amorosas de irmãs  ou de amigas que choram. Somos mães de nossos companheiros, somos mães de nosso filhos, quem sabe noras, quem sabe genros. E, um dia, somos ou seremos mães de nossas mães. E mães postiças de nossos netos. Nascemos para sermos mães. E ponto.

Mas a vida mostra que somos apenas auxilidoras da vida, a grande mãe. Por isso gostei de uma frase que li por ai:
"Somos todas mães adotivas, sejam elas geradoras ou postiças. A verdade é que a mãe biológica dos nossos filhos é a vida.", de Paloma Muniz.

Lembrei de um livro que ganhei de minha irmã - daquelas 'bíbilias' de como cuidar de uma criança  - como se isso fosse ensinável e não um auto apredizado eterno -  cuja dedicatória me foi mais mestra que o próprio conteúdo. Uma grande verdade que levei - levo -  ao pé da letra, sabedoria de Khalil Gibran:

 "Vossos filhos não são vossos filhos. São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma...Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas".

Arcos. Somos arcos, essa arma ao mesmo tempo forte e flexível. E lançamos, entre medo e  coragem, nossos filhos para a vida - mas não antes de prepará-los, cuidá-los, formá-los a contento. E somos abraço, colo, abrigo. Somos choro e riso. Mas somos também mestras e , bem por isso mesmo, alunas.
É, ser mãe é ser complexa, mas de ser complexa todas nós mulheres bem sabemos. E meus parabéns aos homens que souberam nos acompanhar nessa jornada - por vezes tomando de nós a rédea, por querência ou imposição. E meus parabéns às tantas 'mães postiças' que amam meu filho, quem me provam que fiz -  e faço -  a coisa certa, segurando com firmeza meu arco. E melhor ainda saber saber, como diz meu filho, que sou  sua 'mãe predileta"...

3 comentários:

  1. Grande verdade...nascemos para cuidar ao que parece - e não tinha me dado conta...
    Mãe também és tu que nos anima, aconselha e põe em forma de belos textos um pouco do que somos e não queremos ver...
    Beijo de sua 'filha' Su!

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  2. Eu me alimento de amor e de Mãe.

    Todos os dias.

    Flores!

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