quinta-feira, 19 de maio de 2011

Vou





"Você é aquilo que reinvidica,
o que consegue gerar
através da sua verdade e da sua luta,
você é os direitos que tem, os deveres que se obriga,
você é a estrada por onde corre atrás,
serpenteia, atalha, busca, você é o que você pleiteia.
...
Você não é só o que come e o que veste.
Você é o que você requer, recruta, rabisca, traga, goza e lê.
Você é o que ninguém vê".

Este texto de Martha Medeiros , sempre tão vigorosa em suas colocações -  nada de menina como eu -combina com meu dia e todos os pensamentos que couberam nele. Melhor seria dizer semana? Uma soma de dias confusos que demoraram a passar. dizem que era coisa da lua. sei lá.
Hoje viajo, de novo, como tantas e tantas vezes nesse meus últimos 13 meses. E sempre fico nesse misto de medo e euforia. Nada como uma rotina, um saber-se bem o que se tem a enfrentar. São longas horas de viagem, mas nada que um Dramin e uma cobertinha não resolvam. É sempre bom: durmo num lugar, acordo em outro. Entro num estado, saio em outro - aqui geograficamente falando. Saio de um estado e chego noutro - aqui falando de ânimo. Da euforia de esperar tantas horas ali, inerte e sem ter muito o que fazer a não ser esperar, belo teste de paciência. Uma rotina que já se fez como tal, e como tal, rezo para que não mude - só se for para melhor. O alívio de chegar, sã e salva, ao meu  destino, meu porto geralmente gelado logo pela manhã, mas nem por isso menos alegre. Nada que um café não tire a preguiça e me coloque de novo no prumo. E no rumo, das coisas que sonho e faço, das coisas que sonho e hei de fazer. Ja são meses nisso e não em canso. E jamais vou cansar. Procurar o que quero, viver coisas novas, ver nova gente, aprender novas coisas, rejuvenesce. E não serão tantas horas de vai e vem que vão me envelhecer. Têm coisas que tem de ser feitas, não há saida. Outras coisas que se quer fazer, a saída é nossa escolha, feito menu. E escolho por mim, bem longe das dúvidas e azedumes de outros. Eles terão dois trabalhos: entender e aceitar. Minha asas são outras quando chego lá. Amplas e  brancas, prontas para voar. Como se fosse eu ave do cais,  faminta, à espera do barco cheio de peixe. Aquela, ouro da casa, que já faz parte da paisagem, belo personagem de cartão postal. 
Vou. Mais um vôo é anunciado. Meu porto me espera. Quem disse que quero outro lugar?

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