domingo, 19 de junho de 2011

Azuis



Adoro - ou seria melhor dizer preciso? - estas pausas que me dou. Como se revisasse a vida, eu mesma, meu escritos, quem sabe minha forma de me ver - não, não essa do espelho, mas a que me toca por dentro. Tentar o diferente, fazer de jeito diferente, ver com diferente olhar a mesma e monótona coisa do dia. E é nesses silêncios, por vezes só interno que a vida me dá, que me acho, me recomponho, reparos danos, acerto rumos, fortaleço sonhos.
Viver, para mim  - e a cada dia mais - não é um simples passar de horas. Não um simples esperar o dia me chamar os olhos ainda quentes nas cobertas. Nem a rotina que nos faz viver  a vida no automático, não. Ela até tenta, mas um sorriso diferente, um olhar que me encanta , uma frase que vem na mente, uma música que soa diferente  - ou sonhos que me levam  bem à frente - tudo me dá nova luz.
Quando isso começou? Não sei. Deve ser culpa do Amor, esse companheiro, amigo e conciliador que vem me dando a mão desde tanto. Que fez renascer em mim a  menina e a mulher que deixei, por contingência dos dias mal amados e represados, trancada do quarto do dia-a-dia - ou seria no baú das memórias? Talvez porque  tenho me amado mais, apesar dos erros repetidos - e até deles faço graça e tento aprender - não necessariamente nessa ordem. Apesar de me saber forte e me fazer frágil. Apesar de me saber possível e me vetar caminhos. Apesar de mim, e também por mim, a vida segue e segue bem, numa luta diária com minhas próprias sabotagens. Sábias, nem brigam mais: até elas entenderam a força de  conversar...
Hoje é domingo. Não um comum, destes que a gente se pergunta para que levantar. Daqueles que gosto, de sol nascente preguiçoso, de acordar silencioso, café com leite quente na mesa sem nada pensar. Um domingo sem relógios, nem rituais desnecessários. De mudanças de plano que a vida leva e traz. De novo começo. De nova etapa marcada pelo pensamento. Sentada e me escrevendo, a vida mansa espreguiçando lá fora, espero meu presente - e vem! Não sei como, nem de onde, mas vem. Como me vem a  vida quando preciso dela. Como me veio o amor quando eu já desacreditava. Veio em forma de letra e música, juntas, puro encantamento. Chegou sorrateira, devagar entrou, encantou feito troca de olhar daqueles que a gente pensa que já viveu, quem sabe em outras vidas. Pediu um sorriso meu e levou muito mais.
"Passa o tempo, passa a estrada, ou será que nada passa?
Nada conta além da graça do amor..."

"Quando nasce o dia,
O tempo dispara.
Ou será que pára,
Pra ver o sol se levantar?
Quem será que manda na vida?
Quem dá a partida?
Quem que reinventa a luz?
Quem que faz esses azuis?
Como é mesmo que anda o tempo?
Será, sempre assim, tão lento?
Será que passa é por dentro de nós?
Será que é o sol que ordena,
E o tempo que obedece?
Ou será que o sol só desce,
Quando o tempo eleva a luz? Vós!
Passa o tempo, passa a estrada,
Ou será que nada passa?
Nada conta além da graça do amor.
O Amor que é raio e centro,
Eternidade e momento,
Nosso solidário redentor.
Único Senhor do Tempo,
Amor!
Como é mesmo que anda o tempo?
Será, sempre assim, tão lento?
Será que passa é por dentro de nós?
Será que é o sol que ordena,
E o tempo que obedece?
Ou será que o sol só desce,
Quando o tempo eleva a luz? Vós!
Passa o tempo, passa a estrada,
Ou será que nada passa?
Nada conta além da graça do amor.
O Amor que é raio e centro,
Eternidade e momento,
Nosso solidário redentor.
Único Senhor do Tempo,
Amor!"
O Senhor do Tempo, de Caetano Veloso

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