sexta-feira, 10 de junho de 2011

Credo



E sairam as duas - ou mais? - para caminhar ao sol comigo. Eu, só corpo, mais interessada em gastar calorias e derreter tristezas. Elas, matracas. Reuniram-se todas de uma só vez, como detesto, já que não foram pelo visto, educadas para se entender - nunca o são!
Vamos rever. A Joyce mãe estava tranquila: sabe ter  feito o seu melhor e  só espera que a vida faça o mesmo para seu filho. Caminhava comigo sem nem pensar, entre satisfeita e preocupada - aquela preocupação pertinente e insistente de mãe. A Joyce mulher também, satisfeitíssima e cantarolante por ter descoberto, antes tarde que nunca, o que é amar e ser.  Mas a Joyce profissional e a que chamo de 'personagem', eram puro debate - daqueles que já se sabe não chegar a lugar nenhum. Gritaria desnecessária, como bem já sabia eu, feito bate boca de bordel. Uma dizia que estava cansada de nadar, nadar, nadar e morrer na praia. Ou não morrer, nem isso, mas ficar exausta - e sem nem bombeiro bonitão para um boca-a-boca. Que eu deveria escolher outros caminhos - qualquer um!, dizia ela , só para me fazer parar para pensar se estava certa. Lembrei de minha amiga Jô - e sua linda história - que é a quem entrega minhas madeixas quando me deixo ser mulher ou quando o astral passou do pé - que disse, certo dia, que nunca morreria de fome: seria uma exemplar faxineira, tamanha chatice por limpeza. Concordei, por ela, para não perder a amiga, e pensei o mesmo de mim, desde que em casas conhecidas. Faço isso com gosto, limpar ,arrumar, como se limpasse a mim mesma - mais alma que corpo. Mas mesmo nesse campo, tem gente que ama e tem gente que odeia que eu faça ( como minha mãe...). Gosto de 'brincar de casinha', como digo, mas não deve ter sido para isso que minha mãe pagou meus cinco anos de faculdade. A outra,  a tal Joyce "personagem" , saída de histórias baratas de quadrinhos - ou peças teatrais de escola? - dizia que isso tudo era absurdo, que eu já tinha andado tanto, que ' a vida é assim mesmo, pelo menos você é conhecida'. A 'profissional ' não se interessou: queria é ser REconhecida. E veio com um papo que queria isso na vida também. E assim fomos, todas nós, elas falando, e eu  - e meu eu , e mais a Joyce mãe e a Joyce mulher -  tentando me distrair, feito criança que sou, com os cães simpáticos e seus rabos balançantes, com meus passos pelo chão tão distraídos quanto eu, com meus olhos  distraídos com os limos nas calçadas, como quem se pergunta se 'vai chover'. Eu precisando de descanso, de descaso, de esquecimento, e elas me atucanando as ideias. Lenha molhada na fogueira: não deu em nada, só fumaça e cheiro ruim. Nada de fogo, de resoluções, de medidas drásticas. Nem uma faísca sequer. Mais parecia a criança que, aborrecida com o tal brinquedo, vira as costas e sai, cantarolando para disfarçar. Nem chorando vai para os braços da mãe como era de se esperar.
Sai para caminhar e voltei só. Elas cansadas de tanto falar e eu cansada das pernas. O calor, velho e bom companheiro, fez seu papel de me esquentar. Senti nas coxas a força do andar. Na cabeça a sensação boa de, pelo menos, ter dado a minha volta, gasto um pão. Se caraminholar desse resultado, minhas faladeiras companheiras de estrada, eu dava aulas. Tenho especialização, mestrado, doutorado, sou PHD. Mas de me amar não abro mão. É só uma questão de esperar a nuvem passar. O sol, cedo ou tarde, aparece. Feliz de mim que sei que ele está lá...
Alivia-me pensar feito Eisntein:

"Eu penso 99 vezes e não chego à conclusão alguma mas,
quando paro de pensar, surge a verdade."
A. Einstein




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