quarta-feira, 1 de junho de 2011

Diariamente




"O problema do casamento é que se acaba todas as noites depois de se fazer o amor,
 e é preciso tornar a reconstruí-lo todas as manhãs antes do café."

Essa frase de meu querido Gabriel Garcia Marquez anda me acompanhando essa semana que, graças ao bom Deus, já está pela metade. Não, não está de toda ruim, mas deve ser a pura ânsia de seguir em frente, como tenho feito faz tanto tempo já. Ando vivendo no futuro...
Não que o presente não esteja bem embrulhado, mas seu conteúdo é que anda muito confuso.Por vezes até traiçoeiro.  E bem sei também que olhar sempre em frente nos faz tropeçar por vezes - e geralmente nos menores degraus, aqueles, quase imperceptíveis. Por vezes é bom a gente 'baixar a bola' - ou melhor, a cabeça - e ver ali o óbvio, bem diante dos pés - e não do nariz, como fazemos e como manda o ditado.
Mas voltando à frase de meu escritor predileto - que traio muito, mas invariavelmente volto a seus braços ( ou ele aos meus?) - casamento deve ser isso. Digo 'deve' porque é  que se tenta, o que se sabe certo , mas nem sempre se faz. Porque dá trabalho, diz uma. Porque nem sempre vale a pena, diz outra. Sim, dá trabalho. Sim, por vezes a gente se pergunta se vale a pena. Sim, sim, sim, às vezes  a gente tem que parar  e revisar  - mas cuidando para na revisão não dar uma de mecânico e ver só que está ruim, o que tem para arrumar - quem sabe trocar, ou até jogar fora, perda total. Revisar  a gente e o outro, óbvio, já que um par sempre é feito de dois -  acho que ainda vale isso, independente de quem seja esses dois, de que gênero for. Revisar os dois juntos. Revisar um de cada vez. Revisar-se. Eternamente e , se possivelo, diariamente revisar-se. Mas como humanos, seres comuns, 'errantes' ( no sentido de errar e não de sem rumo) não máquinas - sendo que até elas dão defeito.
Ah, o ser humano. Se for como eu, levada da breca,  seria melhor pensar em  dias de Outono - ou Primavera, tipo muitas estações - ou todas? -  num dia só. Ou quem sabe de verão, quando o tempo muda tão rápido e o sol se vai tão rápido quanto veio? De sol  a pino a céu de breu em poucos minutos, 'fácil' assim, feito uma Ferrari. Como levar a sério uma frase destas? Logo eu, que sempre fui tão 'feminista' , tão ' na minha', tão dona de mim e de meu coração? Pois é, vai entender: Concordo com Gabbo - apelido do Marquez, para quem não sabe. Depois de 'madura', eu, cedendo. Ou tentando entender. Sim, é preciso cuidar do amor assim, todo dia. Sim, o amor não termina depois do amor. Sim, como já disse Clarice, a Lispector, é preciso tirar o pó do amor todos os dias ao se acordar. Se ela falou só poeticamente, só da boca para fora, eu não sei. Sei que é assim. Sei que tem que ser assim. Sei o que me vira a cabeça - e o estômago. E sei também o quanto é imprescindível resolver tudo a contento. Sei o quanto uma cara feia - ou simplesmente desligada - pode provocar temporais - nem que sejam de lágrimas. Porque a gente espera do amor muito. Nem metade , nem pouco, muito. Para amar é preciso estar atento. Muito atento. Não blefar, pois o jogo é sério, a aposta alta. E eu? Ah, no jogo do amor eu quero mais é empatar! Nem perder , nem ganhar.
Enfim, começa o mês de Junho. Meio do ano. Dizem que é o mês do amor. E ai já começo o mês discordando: e lá o amor tem mês?
Mas isso é papo para outra hora. Quem sabe amanhã? Ou quem sabe uma outra vez...























































2 comentários:

  1. Vc disse inúmeras verdades.Senti uma pontadinha de amargura...mesclada com uma grande quantidade de esperança.Esqueça as amarguras.Foque nas esperanças..essas sim merecem ser pontuadas e iluminadas.Continue regando...adubando...retificando...seus amores.Quem ama cuida:P
    bjs

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  2. Eu..leonina de carteirinha..teimosa e fatal, me pergunto,lendo o seu texto!! cansa cuidar do amor?respondo forte e desgastada!! que "Quando o amor virou uma colcha de retalhos" e alguns pedaços já não tem trama suficiente pra ser remendados,o desgaste do tempo enfraqueceu o tecido...as mãos que remendam já não tem a mesma doçura e subserviência,ai a resposta vem certa e reta...cansa sim, mas acredito no amor vencedor,batalhador,renovado e revigorado, mas isso é pra poucos e bons!!!!
    Beijos querida Joyce...você é como um bom vinho...quanto mais o tempo passa melhor fica *)

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