domingo, 5 de junho de 2011

Grande


 
"Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces.
Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema".

Domingo de manhã, sol e frio. Silêncio de que necessito, como se passasse a semana a limpo.Um silêncio por vezes tão necessário e tão difícil de se encontrar. Eu e Deus, já que a vida dorme. E sempre tão bem vindo silêncio, como hoje. Um silêncio curador, não ameaçador, nem portador de más notícias. Muito menos ameaçador, culposo. Um silêncio reparador. Meu. Deve ser por isso que a gente dorme: para silenciar a língua, cabeça e coração...Já levantei cedo e fiz ' o que tinha que fazer'. Agora quero fazer o que quero fazer: viver. E nada como um pedacinho carinhoso de poema de Cora Coralina para me incentivar a escrever. A me curar...A me deixar levar pelo que sinto, sou.
Não escrevo fazem uns dias. Talvez por falta de tempo, talvez por falta de vontade, do silêncio interior que preciso. Ou , quem sabe  sem necessidade de cura? Belo começo, alinhavo as ideias e vou me entendendo. Olho para fora e vejo o sol que logo, logo, vai me aquecer ( estou criando coragem...ou que, pelo menos, esperando que a  temperatura que marca aqui no meu lap chegue  a dois dígitos...). Frio faz disso. Interioriza. Deixa  o corpo mais arredio à grandes aventuras. Deixa os dias mais calmos, preguiçosos de corpo, quem sabe de alma? Deixa os dias mais pretenciosos de  vontades parcas, como um bom cozido, um cheiroso bolo, quem sabe um simples e quente chá? Gosto disso, de transformar as vontades em cheiros pela casa...Em cores pelos dias...Aguçar sentidos melhora o meu dia...
Releio o poema dessa mulher de fibra. Vejo nele toda a sua simplicidade. Uma simplicidade que me encanta, palavras e vida. E me vejo a procura de uma , vida, menos mesquinha. Menos necessitada. E de palavras mais sinceras - se é que isso é possível. Por vezes calamos para não magoar - aos outros, não a nós, já que necessitamos delas para nos, 'limpar'. Palavras podem ser as rosas que Cora fala. Ou pedras ,  as tais que ela aconselha remover de nós. E é nisso que tenho que pensar. Porque usar de pedras se as rosas, apesar de seus espinhos, perfumam mais?
Na verdade, Joyce, a gente dá o que recebe...Vai lá, não te deixa impressionar. Faz da tua vida mesquinha, poema. Faz de tuas dúvidas, certezas. Faz de teus textos uma forma de te reconhecer no mundo. De teus atos, presentes do dia. De teus sonhos teu caminho, rumo, direção. Se achares pedras, faz o que diz a poeta: troca por rosas. Se não der para remover todas, faz teu castelo de princesa. E verás das janelas dele as rosas  a florescer até fora da estação...
Vai , Joyce, larga de ser pequena! Vai ser inteira na vida!
Vou...sigo...sei bem onde esse caminho vai me levar...

Um comentário:

  1. Pois é Joyce, vai lá, continua assim, corajosa e alterando rumos, muito bom, é uma decisão e tanto....beijos....

    Paco, faz frio e chove.....

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