sábado, 11 de junho de 2011

Moderninha


Meu dia começou com um 'belo' diálogo matinal, ali, sentadinha na mesa e tentando me sustentar na manhã ensolarada, mas fria. Aliás, já comecei mentindo: meu dia começou com bate boca. Eu irritada porque não em deixaram dormir a contento devido a um ( vários!) entra e sai provocativo e desinteressado pelo outro - no caso eu - e  o irritante,  irritado porque eu estava irritada por não terem me deixado dormir a contento...Deu para compreender? Nem tente: não vale a pena...
Mas, voltando ao lado A do dia - e sempre tem um para uma mente prodigiosamente espirituosa como eu -  meu dia começou com um "profundo" diálogo entre uma mãe e um filho com sono, mas bem humorados um com o outro, coisas da genética:
- A que horas você chegou ontem, filho?
- Sei lá...pouco depois da meia-noite...
- Não leu minha mensagem ( celular, santa invenção nessa hora) ?
- Aha...
- E onde estava?
-  ... "dobrando a esquina"...
- Você veio a pé????
  - Mãe...Eu estava na casa do  'fulano'  ( para não comprometer ninguém rssss)... Fomos lá depois do jantar...
- Ah, 'tá', desculpa ai ( eu, querendo fazer graça da coisa) ...É que a minha bola de cristal está estragada!!!

Bola de Cristal. Não temos, nunca tivemos - a não ser o celular que, por vezes, mais atrapalha que ajuda. Mas devíamos ter. Para ver onde nosso filhos estão, com quem estão, como estão se comportando ( tá legal! eu confio na educação que dei!)  e a gente poder dormir relaxada - ou não! Ver o futuro? Talvez. Mas só no caso de dar um jeito dele não conhecer "aquela" mulher ( risos). Mais que isso é impróprio. Seria como anteceder  preocupações que, como o próprio nome diz, já se trata de se ocupar-se antes de algo. Se vem de qualquer jeito, porque antecipar? Se a tal festa é amanhã, porque perder o sono hoje? E certamente entrarei no rol de tantas e tantas mulheres de tantas e tantas gerações que um dia acordaram e não acharam o filhote na cama. E estarei no lugar de mães que eu mesma fiz perder o sono, piratinha de meninos. Pagando alto.
Mas os tempos mudaram, os problemas são outros. Antes era com o cigarro, hoje drogas. Até torço para que a maconha deseja liberada: provou-se que faz bem menos mal que o maldito.Ou bebidas. Hoje não nos preocupamos "só" com o quanto bebem, mas sim com "o que" bebem, sabendo ou não. O meu diz que gruda numa garrafinha de água e fica assim a noite toda,  mas, vai saber...Ou mulheres, hoje meninas ( ou seriam meninas, hoje mulheres?). Essa história de 'ficar' me assusta. Fiz isso, e já com uma certa idade, e sempre me arrependia depois. Mas hoje, ao que parece, não tem nada de arrependimento. E as meninas viraram mulherões: elas definem quem, quando, onde e por quanto tempo - a até quantos. Mas eu fico entre a espada e a cruz, ou melhor dizer, entre a menina e a mulher. Não sei se me assusta mais o namoro com uma da mesma idade ou...muito mais. Não acho legal antecipar idades, pular etapas, dar o passo maior que a perna - ou seja lá qual for o membro. Bem...só digo uma coisa  a ele, sempre: viva. Com cuidado, pesando as consequências de cada ato, mas sem deixar de levar a vida, de viver cada etapa, cada idade que se tem pela frente como um passaporte a mais, um carimbo a mais. E poder ver, bem lá na frente (no caso dele, não no meu, passaporte já pela metade) tudo o que se fez, tudo o que se conheceu, se viver, conviveu, descobriu, lembrou, esqueceu - pessoas, lugares, emoções e coisas - não necessariamente nessa ordem de valores. E aproveitar ao máximo as oportunidades, hoje e sempre, sem parar. Até tomar um bolo com  chá com o padre que veio dar extrema unção ( gargalhada).
Pois é, o tempo passa. Passei de mãe a candidata a avó ' no susto' ( bate na madeira três vezes!!!). Quando ele nasceu, minha irmã me deu um livro e escreveu na dedicatória a frase de Gibran, de que "os filhos são do mundo "( loucos de quem os põe nele). Eu sei, acho até que estou bem preparada. Dei o que tinha de melhor. E não veio com manual e nem bola de cristal, bem sei. Um dia ele vai ( e tenho tantos planos para mim...), mas depois volta com a "outra" e tudo o mais. Quem sabe me dá o prazer de recomeçar tudo outra vez quando for,  enfim (mas que demore, por ele e por mim!), pai?
Eu, moderninha, antenada, mas ainda repetindo o que minha mãe fazia, prefiro a frase de Veríssimo, o Luis Fernando.
"A verdade é que a gente não faz filhos. Só faz o layout. Eles mesmos fazem a arte-final".
E olha que o meu quer ser designer...







Um comentário:

  1. Ameiiii o texto!!!
    Saudades dos bons tempos que passei com o teu filhote em Itapema.Protetor solar, praia,sorvete,feirinhas, nega maluca,pulseiras de artesãos,fontes de água,passeios até o rio..
    Bj,
    Meg

    ResponderExcluir