terça-feira, 14 de junho de 2011

Ousar


"A vida é uma aventura ousada.
 Ou nada".
Hellen Keller

Essa frase tem me definido de uns tempos para cá - um bom tempo, aliás. Não falo do Amor,  que esse mereço e cultivo com muito carinho todo dia, do acordar ao voltar a dormir, grande alento. Mãe louca e por vezes indecifrável, mas nunca a mesma, nunca comum. E amada- amiga que faz de um tudo para amar melhor a cada dia que passa. Um porto meio torto, mas porto, e meu.
 Mas saindo desse terreno e entrando no terreno da vida  em si - trabalho, perspectivas, procuras , achados - sou doida de pedra. Desvairada. Ousada, no sentido de sem medidas. Aventureira de mim mesma. De me ser. Não, não é que não me achei, muito pelo contrário. O problema é justo o contrário:  gosto de tudo, muito, e isso, às vezes, atrapalha. Sou especialista de uns e pode ser, se o vento levar, de outros. Ou de todos, ou quase. Se me derem um terreno para vender, largo tudo e vou,  se achar que vale a pena. Curar alguém, ou cuidar, melhor se for. Administrar uma casa, se nela me sentir bem. Ou até uma casa de doidos, coisa que me daria muito bem, inserida entre iguais, tenho - temos - disso, loucura, pouco ou muito, diz o ditado. Em resumo: me dou  - ou daria - bem em tudo que me deixam me entregar. Sim, entrega, porque não sei ser metade, nem menos que um todo. Por vezes até entorno, extrapolo, feito leite fervendo no fogo ou copo de água de gente distraída. Uma própria suicida na arte de me jogar nas coisas. E até da arte em si, se eu um dia tentar - tenho certeza, belo DNA. Jump sem elástico. Queda livre. É me jogar,  conseguir ou morrer, não tem meio termo.
E é ai mora o perigo: não gosto de freios, nem de bolas de ferro, nem tenho limites. Invejo quem pode se entregar a algo - projeto de coisas ou de vida, sem nem olhar para o lado. Quem se desliga. Isso sou na lida da vida e em tudo o que faço - quando quero fazer. Quando quero ser. Quando me deixam ser.
E fujo de limites, bem sei. Até na forma de pensar que, volta  e meia foge de minh'alma e vira frase, pensamento ou texto qualquer. Sai pela boca, dedos no teclado, ou apenas no olhar.
Me reinvento todo dia.
Dizem que mulher gosta de apanhar. Eu tenho apanhado da vida e ando cada vez mais apaixonada por ela. Feito mulher de malandro, quanto mais apanho, mais gamo. E olha que ela, a vida , tem exagerado na dose...Mas só da vida, já aviso,  que me arrepia todo dia com coisas novas. Meu dia é sempre igual, acordo e deito na mesma hora, como as mesmas coisas, sinto as mesmas fomes, sigo meu relógio interno de me deixar levar. Mas a forma pelo qual passo por ele, pelo menos em meu jeito de pensar, de me ver, em meus tantos sonhos a tratar, ah, nada mais diferente, nunca nada igual. Minha digital.

Helen Keller ficou cega e surda, desde tenra idade, devido a uma doença diagnosticada na época como "febre cerebral" , hoje acredita-se que tenha sido escarlatina.Sentia as ondulações dos pássaros através dos cascos e galhos das árvores de algum parque por onde ela passeava. Tornou-se uma célebre escritora, filósofa e conferencista, uma personagem famosa pelo extenso trabalho que desenvolveu em favor das pessoas portadoras de deficiências.
 E mesmo assim ousava viver...

Nenhum comentário:

Postar um comentário