terça-feira, 23 de agosto de 2011

Guarda-chuva



Acho que somos um pouco masoquistas. Ou extremamente desligadas, quase em caso crônico, sem cura, nem solução. Ou caso de internação. Eu pareço ser. Eu costumo ser, melhor dizer. Sabe porque falo isso? Cometemos sempre o mesmos erros, ridicularmente os mesmos, sem tirar nem por. Erros que caberiam em um menu de boteco de esquina, daqueles que as ofertas estão empoeiradas, tamanha inércia, desde que a casa abriu. No meu caso, uns quase 50 anos. Ou desde que me entendo por gente.
Tem o que hoje? PF. O famoso prato feito, sempre o mesmo, o famigerado feijão com arroz, bife gordurento e duro na queda e um ovo ' estalado' com sorte. De brinde a mesmice. Ou um copo d'água para engolir. Sejam bem vindos! Nosso PF. Não. Melhor eu trocar pela primeira pessoa para não 'magoar' outrem, aqueles que se dizem diferentes, os não humanos. Meu PF tem sempre a mesma cara. O mesmo cheiro de bolor, de data vencida. O mesmo gosto amargo do depois. A digestão difícil. No menu da vida, meus erros, sempre os mesmos, como quem não tem opção: é esse ou esse mesmo. Sejam eles sentimentais, amorosos, culposos, materiais, econômicos , engordativos e tudo o mais: são sempre os mesmos. Cabem nos dedos de uma de minhas mãos, só uma .
Olho meus dedos pequenos e eles estão lá, dedos e erros, sempre no mesmo lugar.
Cometo hoje os mesmos erros de estratégia dos meus 10 anos. Cometo os mesmos erros dos meus 20 anos em termos de amor. Os mesmos dos 30 em termos de contas. O mesmo de quando nasci quando o assunto é promessas. Juro que nunca mais faço isso, digo eu para uma insatisfeita Joyce ( e ainda bem que não juro por Deus). E  logo depois lá estou eu de novo no banco do réus, tendo eu mesma como advogada de acusação, juíza e júri. Falo para mim mesma que nunca mais vou fazer aquilo e logo me vem a vontade de novo. Feito vício. Droga. E  os tais ' amanhã eu faço, amanhã eu penso, amanhã eu resolvo', que coisa mais irritante. Amanhã eu começo a dieta. Eu caminho, eu começo a correr. Amanhã eu falo isso, eu resolvo aquilo e mudo aquele outro. Amanhã eu me doutrino. Me encorajo. Vou. Faço e aconteço. Amanhã, tudo amanhã. Meu presente é o que ? Por vezes uma caixa vazia, daquelas bobas que se dava quando pequenos para pregar peças. Ou coisas novas que talvez também fiquem para amanhã. Porque mesmice pesa, atravanca a vida, vira bola de ferro.
 O que me consola é que sei qual é o caminho -  só não sei se quero segui-lo. E, como sou, sempre tão otimista, dar as contas e dizer: fazer o que...Amanhã, com certeza, tem  mais! Faço mais. Sou mais.
E me cai no colo a frase da 'loira fatal'  - para uns , mas menina acanhada para outros, e crucificada por tantos pela sua maneira de ser -  que me consola:

"Sou egoísta, impaciente e um pouco insegura.
 Cometo erros, sou um pouco fora do controle e às vezes difícil de lidar.
Mas se você não sabe lidar com o meu pior,
então com certeza, você não merece o meu melhor!"

Lembro que já li em algum lugar que erros são uma parte importante na história.
Melhor não reclamar. Se estou na chuva, é para me molhar!
Mas será bem melhor quando eu lembrar do guarda-chuva...

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