terça-feira, 30 de agosto de 2011

Reinando


"Na infância, bastava sol lá fora e o resto se resolvia."

Grande verdade essa , mesmo tão simplória, e talvez mesmo por isso, de Fabricio Carpinejar. Bastava que não chovesse, ou um bom jogo na mesa, quem sabe um filme na sessão da tarde. O tédio não estava presente nas cantigas de roda, nem no jogo de pegar. Nada de tédio nas noites  passadas a contar estrelas e esperar que nascessem verrugas no dedo apontador. Nem na espera de assustar alguém a passar. Nada de chatice nas risadinhas proibidas por debaixo do edredon, a mãe a ralhar. Nada de monótono nas noites bem dormidas ao embalo tão somente do cansaço de tanto viver. Nem de sem graça na risada tresloucada sem motivo alguma  a não ser o de rir. Nada chato, nada entediante, nada de triste, nem o último dia de férias, já loucos para rever os colegas da sala, as novas professoras, o cheiro do caderno, quem sabe até o pipoqueiro, ou o menino da outra sala. Nada sem cor, nada sem cheiro, nada sem graça. Nada de útil,  tudo de fútil e nem precisava. Não se perdia tempo em frente ao guarda-roupa, nem se  precisava de espelho a não ser que fosse para ver como ficava a roupa da mãe em nós. Quem sabe um salto, outro dia um batom, e tudo isso uma alegre brincadeira. Como fazer o cachorro de bobo, quem sabe o amigo. Subir no pé de goiabeira só pra ver quem sobe mais alto. Disputar corrida só para zoar do outro. E que adrenalina que dava.
Carpinejar resumiu nossa burrice adulta em poucas palavras. Hoje, nem o sol nos agrada. Se faz frio reclamamos que vamos congelar. Se chove, que vamos mofar .Se calor, vamos derreter. Se venta, estraga os cabelos. Se esquenta, pode ressecar.
O tempo passa e a gente esquece que já foi feliz. Deixa a  receita se se ser lá para trás.  Chego a conclusão que ser adulto é um pé o saco, hoje murcho. Ou um encontrão nos peitos
já puxados pelo tempo...
Na infância, bastava uma coroa de papel ou de giz e éramos todos príncípes e princesas.
Hoje, nem de ouro para nos agradar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário