domingo, 28 de agosto de 2011

Vermelhas



Hoje assisti - reassisti  -  em um breve momento que me dei de presente viver - o filme "Antes de Partir", com os impagáveis Jack Nicholson e Morgan Freeman. Como li num site sobre cinema, "perfis opostos que se completam, fica difícil errar". Aliás, tudo oposto, com eles e com seus personagens ( o diálogo entre os dois, frente a frente, faz rir bem por isso...). Quem não viu, não sabe o que está perdendo. E já vê tarde.  E quem viu,  deve ver de novo: é o tipo de  filme que
não se pode ver  - não se vê - uma vez só na vida.
E falando em vida, alguns diriam que o filme trata da morte. Eu, guria otimista e romântica incorrigível  que sou - aposto na vida ( apesar de que, ultimamente, o futuro tem me chamado muito para conversar,  pedindo respostas que não sei dar...e como me chama pelo nome completo, levo a sério, como fazem os filhos em relação aos seus pais).
"Lista da Bota". Esse parece ser o grande fio que amarra a trama, belo tricot. Uma lista de coisas que se quer fazer - ou ter,  ou ser - antes de "bater as botas".  Pensei seriamente em começar a minha, um sério leve, claro, pois não pretendo bater as minhas queridas botinhas antes da hora. E para distrair minha mente, 'desfixar' a ideia, pedi ao meu  cachorro que me levasse para passear. E de passo em passo, devagar e cheirando a vida, marcando espaços, fomos, eu e ele, ele levando a vida
e eu pensando nela.
Muito simples a minha - lista, não vida - não sei  a dele, do cão. Tudo muito simples e que por enquanto só tem um pedido. Muito complexo, eu sei, mas um. Por hoje, só um:  
Amar e ser amada, um amor tranquilo e morno, feito chá, pois não suportaria viver sozinha, nem amar sozinha. Uma pessoa com que aceite minhas lágrimas ( choro por tudo!) e que goste de ouvir minhas gargalhadas, pois pretendo dar muitas ainda. Alguém que entenda que preciso, às vezes, ser menina e às vezes ser muito mulher, e quem sabe, outras vezes, eu mesma. E que goste de comer minhas comidas, pois pretendo testar muitas ainda - e dizer que está bom. E que se  ofereça para lavar a louça, só de vez em quando. E que me conte histórias, reais e imaginárias - e escute as minhas. E que me faça cafuné na cabeça, quem sabe massagem nos pés. E que me ache sempre linda, mesmo na hora que eu estiver tentado esticar as pregas do tempo em frente ao espelho, me achando o 'ó', mesmo que eu levante mal passada. Que entenda meu humor vacilante, pura insegurança, minha mania de me achar mal amada. A massaroca que faço na cama e essa mania irritante de acordar cedo para aproveitar bem o dia ( prometo não fazer barulho!). Que me espere quando eu saio para caminhar comigo mesma, sabendo que vou voltar melhor. Que me namore sempre que dê vontade e se enamore de mim sempre e cada vez mais, assim, como sou: muitas.
Resposta grande para uma primeira, mas eu sou assim, complexa, sem metades, inteira. E aos poucos, para não me engasgar comigo mesma. Quem sabe amanhã eu posto mais uma?
Termino mais um dia que foi um presente porque eu mesma decidi embrulhá-lo melhor.
E ponho no cartão a frase do filme:

"Quero te pedir uma coisa:
"encontre a alegria na sua vida."

PS.: Papai do Céu, quando eu 'bater as botas', por favor,  que elas sejam vermelhas!

Um comentário:

  1. ahahahaa seria bem mais engraçado, se não fosse um tema tão sério, como as "cousas e lousas" que queremos e esperamos ardentemente ter ...e teremos...quem viver verá!!!!
    Falando em viver,quero partir dessa pra uma melhor...se é que é melhor...também de botas vermelhas, mas de salto agulha,vivi sempre no salto,mesmo quando estou de rasteirinha...me sinto sempre muito altiva..minha mãe disse que já nasci assim "bobinha diz ela" e espero me despedir com a mesma simplicidade glamourosa com que vivi.
    Joy...seus textos sempre me fazem voar de saltos altos e asas furta-cor...bjks no coração da sua fã amiga!!!

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