quarta-feira, 28 de setembro de 2011

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Escolhas. Desde que acordamos - e até para isso, fazemos escolhas - estão lá, em tudo insistentes. Do café da manhã bem tomado ou um simples gole dele, assim, de pé, até o que vestir, o que ser. Se ser ou não ser, já é uma questão, e como tal, escolha. Par ou ímpar. Mal me quer, bem me quer. Sim ou não, raros os talvez, feito trevo de quatro folhas.
 E quanto mais de pede da vida, mas escolhas ela põe na mesa, feito banquete de viver, bem ou não. Sirva-se, devorando,  ou degustando um prato de cada vez. Belo buffet que pode nos fazer bem ou nos matar. Sim, matar, já que existem vários tipos de morte. A escolha de uma coisa mata a outra - ou a congela, quem sabe volta. E quanto mais importante o tema, mas ficamos amedrontados, inseguros. Impulsivos ou freados. Eu fico, muito. Escolhas fáceis, como o sabor do sorvete, ou se uma ou duas bolas, tem peso leve, da coisa que se pode remendar depois. Fica aquela sensação de "da próxima vez...", Mas quando a coisa pesa, aperta em mim, ficam duas joyces - quando não mais de mim - em conversa nem sempre proveitosa, e sempre aguda, rançosa. Então, calo-me e tento me escutar. Não a voz chata e repetitiva do aprendido, do revisado, das cobranças de tantos erros passados e mal vividos, e sim o som suave do novo, do recém chegado, do que eu mesma espero de mim. Não o que a vida espera, ou o pai ou a mãe , o irmão ou o vizinho - talvez o filho, esse que me habita e porque vivo, talvez o amor, porque me compreende -  mas o que eu espero de mim mesma. Uma mistura querida do que realmente sou com meus sonhos, muitos engavetados, sim, encaixotados até, mas longe, muito longe de serem descartados. Porque sonho não se mata. Sonho não se liquida. Sonho se corre atrás. Ou pelo menos se caminha em direção a ele , pé ante pé, silenciosamente, sem que nem ele perceba que foi alcançado. Talvez nem nós. Os caminhos que ele pega nem nós bem sabemos...


 "O diabo desta vida é que entre cem caminhos temos que escolher apenas um,
e viver com a nostalgia dos outros noventa e nove".
Fernando Sabino

Na nostalgia e no sonho, Fernando, e no sonho...

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