segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Crendo



Segunda. Como o próprio nome diz, a semana já começou ontem, um dia bom. Aliás, todo dia é bom quando se está do lado de quem se ama. Ontem, no meu caso, filho. Uma paixão que já dura 16 anos e alguns meses - uns ainda dentro de mim. Por ele faço tudo, um tudo que não o faça vilão de mim
nem dele mesmo.
Ontem foi um dia bom. Quase o dia todos juntos, um cedendo ao gosto do outro e assim passando a vida. Do caminhar longe logo cedo, ao cozinhar juntos e servir a mesa, o cinema à tarde, a passeada por ai - só não pode dar a mão! Uma paixão que não vai terminar, sonho, mas que vai se diluir aos poucos ou de sopetão conforme a vida passe. Hoje sou tudo, amanhã já não sei. Mas tem nesse não sei muita cumplicidade, uma semente bem plantada e bem regada que peste nenhuma há de secar. Porque não somos, verdadeiramente, mãe e filho, somos amigos. Porque somos sinceros, mesmo não contando tudo, pois cada um tem lá os seus segredos, geralmente para poupar o outro de desilusões.
Mas hoje é segunda. E talvez por ter sido o ontem tão bom, o hoje é frágil, medroso, tristonho. Apático, porque vive de restos. Vive de saudades de um ontem ainda morno em mim. Chamo-o para um lanche, sirvo com amor, beijo na testa, rituais. Amor feito de conversas abertas, de colocações que  acrescentam. De apoio mútuo, de compreensão, de fermento.
E claro, gargalhadas, coisas comuns entre nós. Amolecem as horas.
Amor. Isso é amor. E que bom seria poder ter essa certeza desse amor em um homem qualquer - ou melhor dizer especial, porque meu - não no sentido de posse, mas se certeza? Uma companhia adorável, que aposte em mim sem dar todas as fichas de uma só vez, que me apoie sem me segurar, que aceite meu silêncio e ria de meu falaciar, que me dê tempo para me expressar e entender, que não me julgue em nada e nunca, que me admire mesmo ao acordar, nem que seja pela graça de me ver assim, descabelada, descomposta, normal. Que respeite minhas tristezas e não ache que pode resolver tudo - porque  o tudo depende de mim - mas que me faça ver que nada é o fim do mundo.
E que seja recíproco. Que veja em mim alguém que faz a diferença, que aposta nele também. Que não o segure, mas ajude a compor caminhos, que aceite seu silêncio, mas desde que tenha a certeza de que está tudo bem. Que o faça rir, tempero da vida, e que o console ao chorar - porque homem que é homem chora, sim, de se molhar - melhor ainda se no meu colo. Que o faça ver seu verdadeiro valor, mesmo que  a vida o faça tropeçar, que as pessoas digam que não. Que se sinta especial tão somente pelo fato de eu o amar. 
Amor. Amor de filho, amor de homem  e mulher, não sei viver sem, nem vou tentar. Creio nisso e isso vou sempre procurar. Minhas velas. De acender e de guiar...

"Eu me recuso a descrer absolutamente de tudo,
eu faço força para manter algumas esperanças acesas,
como velas".
  Caio Fernando Abreu

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