terça-feira, 20 de setembro de 2011

Levando...


Não escrevo faz quase uma semana. Não que não tenha assunto, sempre os tenho, sempre transbordam em mim, pelos poros, já que minha cabeça não pára. Tenho, muitos, mas são pratos insossos enfiados goela abaixo, por vezes a seco, que hoje devolvo ao mundo.
Difícil crescer em lugar insalubre, conviver com o inimigo - por vezes eu. Tomar decisões difíceis, porque não certas - ou que não são as que se quer tomar. Difícil viver uma vida paralela, como se o trem de nossa vida estivesse no outro trilho, e não nesse que me leva para longe. Não estou no lugar que queria estar, nem com quem. Nem fazendo o que quero. Sinto-me parada na estação como quem olha o quadro de itinerários e não se acha. Mas pega o primeiro trem, nem se sabe para onde. Ali, parada, não dá para ficar, pois a noite vem.
E a vida egoísta - ou seria eu a tal? -  segue seu rumo, eu querendo ou não. Pego o trem e me deixo levar, absorta com a paisagem que não me interessa, sertão. Não levo comigo a  esperança das horas passadas, alegria da chegada, o sonho do encontro.  Não conto os minutos para ver quanto falta para a sonhada estação. Já nem penso mais, pois pensar me entristece. Meus sonhos ficaram no porta bagagem esperando a viagem certa, o lado certo, o dia de chegar. O dia em que minhas decisões serão precisas porque certas e escolhidas e não subterfúgios de me esconder. O que dia que vou estar na estação com a passagem dourada na mão e só de ida para me viver.  Ai sim, meus sonhos estarão comigo, para nunca mais se perder...

"Todas as manhãs ela deixa os sonhos na cama, acorda e põe sua roupa de viver.”
Clarice Lispector

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